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Acesso aos serviços de saúde de uma comunidade tradicional pesqueira no Nordeste do Brasil: limitações de uma realidade peculiar

RESUMO: Este estudo analisa o acesso aos serviços de Atenção Primária à Saúde em uma comunidade tradicional pesqueira no Nordeste do Brasil. Os resultados são apresentados em dois capítulos distintos. No primeiro foi feita uma abordagem sobre a questão do diagnóstico situacional da produção científica por meio de uma Revisão Integrativa nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Scientific Electronic Library Online (SciELO); Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE); e na US National Library of Medicine (PubMed), considerando publicações na íntegra no período de 2014 a 2019, no idioma português, inglês e espanhol a partir dos descritores: Acesso aos serviços de saúde, População Rural e Brasil. E, no segundo, foram apresentados e discutidos os resultados levantados a partir de um estudo epidemiológico realizado na comunidade de Bananeiras, Ilha da Maré – BA em 2018. Os resultados da revisão integrativa demonstraram que no ano de 2014 não foram encontradas publicações. Nos anos seguintes, a produção foi distribuída da seguinte forma: 16,7% publicados em 2015, 11,1% em 2016, 11,1% em 2017, 44,4% em 2018 e 16,7% em 2019. Aproximadamente 88,9% dos estudos foram publicados em língua portuguesa e 11,1% em língua inglesa. Em relação aos periódicos de publicação verificou-se que 68,7% são revistas vinculadas à área de Saúde Pública, 6,2% na área de Psicologia, 25% Enfermagem. Com relação ao qualis das revistas, 62,5% destes periódicos estão classificados entre A1 e B1. Cerca de 11,1% dos estudos identificados foram de abrangência nacional. No âmbito regional, a maioria das pesquisas concentrou-se na região Sul e Centro-Oeste do país. As regiões Norte e Nordeste apresentaram 16,7% e 11,1% do total da produção científica, respectivamente. Aproximadamente 61% dos estudos abordaram alguma dimensão do acesso aos serviços de saúde nas populações rurais. Dentre eles, os enfoques mais prevalentes foram relacionados ao deslocamento e acessibilidade. Os resultados do estudo epidemiológico evidenciou que a distância tem sido um dos principais fatores associados à dificuldade de acesso aos serviços de saúde, verificando-se que aqueles que chegam as suas residências por meio de chão batido têm ainda mais dificuldade do que aqueles que chegam a barco. Esse fato provavelmente pode ser explicado pelo caminho de terra se tornar mais longo, considerando que a variável de desfecho do estudo foi calculada a partir do tempo de percurso dos participantes de sua residência a uma unidade de saúde. O estudo também apontou como fatores associados ao não acesso aos serviços de saúde a falta de conhecimento em políticas públicas pelos moradores da comunidade de Bananeiras, não encontrando outras pesquisas que pudessem embasar esse achado, o que aponta a necessidade de realização de estudos que possibilitem um melhor entendimento sobre essa relação. Ao final do estudo conclui-se que o acesso aos serviços de saúde pública é dificultado principalmente pela distância e tempo de percurso até as unidades de atendimento, com o conhecimento sobre políticas públicas e tempo de trabalho diário também verificado como fator associado.

 

Palavras-Chave: Acesso aos Serviços de Saúde. População Rural. Brasil.

 

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