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ACOLHIMENTO PRESCRITO X REAL: UMA ANÁLISE SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE TRABALHADORES E USUÁRIOS NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

RESUMO
O acolhimento vem sendo proposto como uma ferramenta que contribui para humanizar o cuidado, ampliar o acesso dos usuários aos serviços, garantir a resolutividade das demandas, organizar os serviços e promover o fortalecimento de vínculos entre profissionais e usuários. No município do Recife, esta prática vem sendo incentivada pela gestão e sua implementação pautada em atos normativos, com matrizes de avaliação e proposição de metas, embasadas em um modelo próprio do município. Este estudo objetivou analisar a relação entre o acolhimento prescrito e o acolhimento real, bem como suas interferências nas relações de reciprocidade entre trabalhadores e usuários nas unidades de saúde da atenção básica do Recife. Utilizou como campo de investigação quatro unidades da Estratégia Saúde da Família do Distrito Sanitário IV do município de Recife – PE. A investigação teve um caráter qualitativo e, para sua operacionalização, realizou entrevistas com profissionais e usuários, cujos discursos, foram gravados pelo modo digital de voz e posteriormente transcritos manualmente, de forma literal. Os discursos obtidos foram analisados, em grande parte, através da abordagem metodológica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), sendo também utilizada, em menor escala, a técnica da análise temática, de forma dialogada, com aportes teóricos e documentos oficiais relacionados ao tema. Os resultados apontaram que, na maior parte das unidades de saúde, os profissionais executam os protocolos propostos e consideram que estes têm influência positiva para o processo de trabalho no acolhimento, No entanto, fatores como demanda excessiva, estrutura física das unidades, pouca resolutividade da rede de referência, singularidades das unidades, entre outros, apareceram dificultando o cumprimento do que foi prescrito e, desta forma gerando influência negativa sobre o processo de trabalho do acolhimento. As relações recíprocas também sofreram influências destes fatores, dificultando, assim, a circulação de dádivas. Entretanto, outros fatores como acesso, resolutividade, atitude acolhedora e responsabilização, potencializaram as trocas recíprocas entre profissionais e usuários. Os achados demandam que os atos prescritivos e as relações recíprocas do acolhimento são diretamente influenciadas pelas singularidades presentes nas comunidades, pelas variabilidades humanas e por fatores ligados à estrutura e processo de trabalho e, portanto, devem ser operados com cautela com vistas a proporcionar um acolhimento real de qualidade.

Palavras chave: Acolhimento; Saúde da Família; Relações Recíproca.

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