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ANÁLISE DA CORRELAÇÃO ENTRE O LETRAMENTO EM SAÚDE E A ADESÃO FARMACOTERAPÊUTICA EM USUÁRIOS NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DE SOBRAL - CE

RESUMO
A Alfabetização e o Letramento são termos frequentemente confundidos e utilizados como sinônimos. No entanto, este último diferencia-se por requerer habilidades para além de saber ler e escrever, exigindo a capacidade dos sujeitos de interpretar, processar e aplicar determinada informação em diferentes contextos do cotidiano. No âmbito da saúde, a dificuldade dos usuários em seguir o tratamento de forma sistemática e regular por não compreenderem adequadamente as orientações ofertadas pelos profissionais é um dos principais desafios quanto à adesão terapêutica na atenção à saúde. Esta pesquisa buscou obter informações sobre os graus de letramento em saúde, da adesão terapêutica e das barreiras para a adesão à terapia medicamentosa de uma parcela da população sobralense. O objetivo geral era analisar a correlação entre as duas primeiras variáveis, testando a hipótese de quanto menor o letramento em saúde, menor seria a adesão farmacoterapêutica. Desenvolveu-se um estudo analítico-descritivo, de abordagem quantitativa e de caráter observacional e transversal. A adesão à terapia foi avaliada pela escala de 8 itens de Morisky, Green e Levine (MMAS-8), as Barreiras para a Adesão pelo Brief Medication Questionnare (BMQ) e o Letramento em Saúde (LS) pelo Teste de Letramento Funcional em Saúde (TLS), uma versão traduzida e adaptada para a realidade brasileira do Método TOFHLA. Analisaram-se também variáveis sociodemográficas, de utilização dos serviços de saúde e do uso de medicamentos. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas e aplicação do TLS nos usuários portadores de hipertensão e/ou diabetes de dois CSF de Sobral. Foram entrevistados 30 sujeitos com idades entre 36 e 72 anos, predominantemente do gênero feminino (90%). Dos participantes, 22 realizaram o TLS, identificando que apenas 9,1% apresentaram LS adequado, 27,27% limitado e 77,27% inadequado. O TLS não apresentou bom desempenho em população com baixo nível de escolaridade, sendo considerada a possibilidade de melhor desempenho com a aplicação do S-TOFHLA. Em 50% dos entrevistados, houve relatos de descontinuidade no acesso aos medicamentos e a prevalência de não adesão em 90,91%. Não foi possível estabelecer correlação estatisticamente significativa entre o LS e a adesão farmacoterapêutica e nem com o número de anos estudados, porém há uma tendência positiva na relação. Os resultados indicam uma alta prevalência da não adesão com possíveis impactos negativos para os usuários e para a sociedade. Diante destes dados, fazem-se necessárias estratégias que visem potencializar o trabalho das equipes de saúde da família e de promover a garantia do acesso aos medicamentos, a simplificação do regime terapêutico e a adequação da linguagem utilizada durante as informações para minimização deste problema de saúde pública.
Palavras-chave: Letramento Funcional em Saúde; Adesão farmacoterapêutica; Educação em Saúde.

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