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ANÁLISE DO PROCESSO DE TRABALHO DOS COORDENADORES DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NOS MUNICÍPIOS DA 12ª REGIÃO DE SAÚDE DO CEARÁ

RESUMO
A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi concebida no Brasil como uma política estruturante da Atenção Primária à Saúde, na busca de reverter o modelo de atenção hegemônico, centrado na doença e na cura e está organizada a partir da concepção de território, vínculo, longitudinalidade do cuidado centrado nas famílias, ser porta de entrada do sistema de saúde e possibilitar uma atenção universal, equânime e integral. Vários são os desafios enfrentados por esta política para consolidar-se no país, dentre eles está a sua coordenação/gestão, tangenciada por uma cultura gerencial clássica e burocratizada, tendo o grande deságio de desenvolver um novo modelo de gerir, baseado na participação ativa de todos no ato de governar. Uma coordenação com processos de trabalho colunado pelas tecnologias leves, na produção do cuidado com prevalência do trabalho vivo em ato. Este estudo teve como objetivo analisar o processo de trabalho dos coordenadores da Estratégia Saúde da Família dos municípios da 12ª Regional de Saúde do Ceará, tendo como referência os princípios e as diretrizes norteadoras desta estratégia. A pesquisa, realizada de agosto de 2012 a abril de 2014, é do tipo descritivoexploratória qualitativa, tendo como campo de estudo os sete municípios da 12ª Região de Saúde do Ceará. Os sujeitos foram os Coordenadores dos sete municípios. Esta pesquisa teve como instrumentos de coletas de dados um formulário com perguntas abertas e fechadas e um roteiro de 10 perguntas abertas para entrevista. A análise foi realizada utilizando-se o método de análise de conteúdo, na perspectiva da análise temática, por meio da formação de categorias. Todos os Coordenadores eram graduados em enfermagem, com uma média de idade de 28,14 anos, sendo 71,42% do sexo feminino, com uma renda média líquida de R$ 2.855,10. A média de anos de graduação foi de 4,7 anos e nenhum havia concluído mestrado ou doutorado e quase 60% não tinham nenhum outro curso de pós-graduação. Nenhum coordenador recebeu treinamento para assumir o cargo. Mais da metade dos Coordenadores não tinha o cargo devidamente oficializado e nenhum destes tinha mais de um ano no exercício. Era a primeira experiência de gestão destes profissionais. Na organização da ESF, predominaram as ações para assegurar os requisitos mínimos para o seu funcionamento da ESF. Foi constatada uma indefinição sobre os papeis dos coordenadores de acordo com o cargo exercido, assim como uma situação de sobreposição de funções. As ações de monitoramento, avaliação e planejamento apareceram de forma tímida, com destaque em ações clássica de gerência. A maioria dos Coordenadores tinha uma autonomia restrita, para tomadas de decisões. Nenhum coordenador demonstrou uma concepção de gestão bem definida, todos demonstraram traços da gestão clássica e da gestão participativa, com predominância da primeira, com um processo de trabalho ainda muito engessado nas tecnologias duras, sobressaindo-se o trabalho morto. O controle social e as ações de educação permanentes ainda estão muito aquém do que se busca para ESF. Foram encontradas como principais dificuldades no exercício da Coordenação da ESF, a ausência de autonomia, a influência politiqueira, as baixas condições de trabalho e a sobrecarga de tarefas. Ficou evidente a necessidade de uma remodelagem da forma de exercício destas coordenações, para permearem os caminhos para consolidação da ESF como foi
concebida dentro do SUS.
Palavras-chave: Saúde da Família. Trabalho. Gerenciamento. Política de Saúde.

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