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ATENÇÃO À SAÚDE BUCAL: ARRANJOS E DISPOSITIVOS OPERADOS NO CUIDADO ÀS PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS EM FORTALEZA-CE

RESUMO

Nas primeiras décadas de disseminação do HIV, ser diagnosticado com a Aids era uma sentença de morte. A partir da década de 1990, com a introdução da terapia antirretroviral de alta potência, a Aids deixou de ser uma doença terminal, diminuiu sua mortalidade, tornandose uma doença crônica. As pessoas que vivem com HIV/Aids (PVHA) estão cada vez mais presentes no Sistema Único de Saúde (SUS), bem como nos serviços de saúde bucal, sendo importante a avaliação do cuidado à saúde bucal deste grupo de pacientes. A presente pesquisa teve como objetivo investigar características da atenção à saúde bucal das pessoas que vivem com HIV/Aids no SUS do município de Fortaleza, sob a ótica dos usuários e cirurgiões-dentistas. É um estudo quantitativo, descritivo-analítico, realizado no município de Fortaleza – CE com dentistas e PVHA. A amostra dos cirurgiões-dentistas, aleatória estratificada pelas diferentes regiões do município, foi de 156 profissionais da equipe de saúde bucal dos Centros de Saúde da Família (CSF) e 14 dos Centros Especializados de Odontologia (CEO). O questionário estruturado aplicado aos profissionais abordou, além dos aspectos demográficos e socioeconômicos, questões de dimensão de processo da atenção à saúde bucal às PVHA, incluindo os tipos de procedimentos realizados, a forma de organização do acolhimento com classificação de risco da demanda e questões relativas à humanização do cuidado. A amostra dos usuários, definida por conveniência, foi de 241 PVHA. Os dados foram coletados através de questionário estruturado, abordando a dimensão de processo e resultado, satisfação dos usuários, bem como humanização da atenção. A média de idade dos profissionais é 38,0 (±7,5) anos, 68,3% são mulheres e 67,1% são casados. Observou-se que 37,1% dos profissionais cursaram Especialização em Saúde da Família, e que 51,2% não conhecem os exames laboratoriais mais importantes para o acompanhamento às PVHA. Para 69,4%, a estrutura física do consultório odontológico não é satisfatória para atendimento às PVHA, e para 57,6%, as condições de biossegurança do CSF/CEO são insatisfatórias para o atendimento às PVHA. Sessenta por cento atendem às PVHA, entretanto atenderam em média quatro pacientes; 33,3% informaram que o atendimento é prioritário e 74,5% avaliaram o atendimento como satisfatório. Para 58,8% dos profissionais estar bem informado sobre as condutas frente ao paciente influenciam sua decisão em atender; 84,3% afirmaram que o usuário fica satisfeito com o atendimento recebido. A idade média dos usuários é 37,8 (±9,6) anos, 68,3% são do sexo masculino, 75,9% denominaram-se pardos, 63,1% são solteiros, 52,3% não têm filhos e 87,6% nasceram no Ceará. Sobre o grau de instrução, 24,1% têm ensino fundamental incompleto, 32,8% têm ensino médio completo e 5,8% concluíram ensino superior; 20,3% não têm renda, 24,5% ganham até um saláriomínimo e 34,4% recebem entre um e dois salários-mínimos. Considerando a procura dos usuários para atendimento, 64,3% consultaram-se com o dentista nos últimos dois anos; 50,6% usaram o consultório particular, 32,4% plano de saúde e 31,1% usaram o CSF ou CEO. A nota média que o paciente atribuiu ao atendimento do profissional foi de 7,6 (±2,5), 73,6% declararam-se muito satisfeitos ou satisfeitos e 26,4% pouco ou insatisfeitos com o atendimento. Referente aos cirurgiões-dentistas, conclui-se que o conhecimento apropriado sobre questões técnicas relacionadas à infecção pelo HIV, educação permanente direcionada para PVHA oferecida aos profissionais, boas condições de trabalho e infraestrutura satisfatória, incluindo biossegurança, bem como experiência profissional prévia com estes usuários é o principal fator associado à disposição para o atendimento a este grupo de pacientes. Considerando o ponto de vista dos usuários, conclui-se que a atenção à saúde bucal das PVHA em Fortaleza obteve avanços relativos à humanização e à diminuição do preconceito, no entanto, precisa melhorar na organização da referência dos usuários e aumentar o acesso destes aos serviços.

Palavras-chave: Avaliação em Saúde. HIV/Aids. Saúde Bucal. Serviços de Saúde Bucal.

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