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ATENÇÃO EM SAÚDE BUCAL OFERECIDA AOS PACIENTES COM ESQUIZOFRENIA NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

RESUMO

A constituição brasileira de 1988 criou o Sistema Único de Saúde (SUS), regido pelos princípios de Universalidade, Equidade e Integralidade. Entretanto, parcelas da população ainda não têm acesso aos serviços e à resolução dos seus problemas de saúde, em especial, aos de saúde bucal. Dentre os preteridos, estão os indivíduos com transtornos mentais, especialmente, as pessoas com esquizofrenia, doença crônica que atinge cerca de 1% da população. Este transtorno normalmente inicia-se antes dos 25 anos de idade, afetando pessoas de todas as classes sociais. O presente trabalho teve como objetivo geral averiguar o acesso à atenção em Saúde Bucal oferecida aos pacientes com esquizofrenia, no âmbito da Atenção Primária, no município de Fortaleza-Ceará. Os objetivos específicos foram investigar o grau de satisfação de pacientes com esquizofrenia e/ou seus cuidadores, acompanhados no hospital de referência em saúde mental no Ceará - Hospital de Saúde Mental de Messejana (HSMM) – Fortaleza-Ce, em relação ao acesso à atenção em saúde bucal oferecida na Estratégia Saúde da Família (ESF) em Fortaleza-Ce; identificar a formação e capacidade/competência técnica autorreferidas dos cirurgiões - dentistas da Estratégia Saúde da Família de Fortaleza-Ce, para o cuidado, o atendimento e a resolutividade às demandas dos pacientes com esquizofrenia. Realizou-se um estudo transversal, com abordagem quantitativa (entrevistas estruturadas), em duas etapas (uma com profissionais da saúde bucal e outra com pacientes/cuidadores). Um total de 162 dentistas da ESF de Fortaleza e 100 pacientes com esquizofrenia e/ou cuidadores do HSMM foram entrevistados. Os dentistas tinham 40,4 (DP ±7,3) anos de idade. A maioria era do sexo feminino (n = 115; 70,9%), branco (n = 80; 49,3%), católica e casado (n = 123). 126 (77,7%) têm pelo menos uma especialização (por exemplo, a saúde pública), com 16,8 (DP ± 6,8) anos desde a graduação no curso de Odontologia. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (n = 67), pardos (n = 60), católicos (n = 50), solteiros (n = 84), com idade média 35,7 anos (DP ± 11,7). A maioria dos pacientes (n=58, 58%) procuraram tratamento dentário, mas apenas a metade destes (n=29) conseguiu obter cuidados; 25 deles comparam o atendimento odontológico da unidade de saúde com outros serviços privados locais e o classificaram como muito melhor, melhor ou igual em 72% das vezes (n=18). A maioria dos pacientes (88,7% dos 62 pacientes) gostaria de ter o seu tratamento realizado perto de casa, ao mesmo tempo que os profissionais de saúde bucal (n=156, 96,2%) acreditam que a coordenação do cuidado deve ser feita pela Atenção Primária à Saúde. Enquanto os profissionais (n = 92; 63,4% dos 145 inquiridos) dizem que há necessidade de capacitação para o atendimento de pacientes com esquizofrenia, os pacientes/cuidadores (79 de 96; 82,2%) não percebem o seu diagnóstico de esquizofrenia como um impedimento para os seus cuidados na atenção primária. Ambos os grupos pesquisados (profissionais e pacientes) atribuíram uma pontuação baixa – 5,8 e 5,0 – quando questionados sobre a resolutividade e a atenção dada, respectivamente, por equipes saúde bucal na atenção básica. Os dados apontam para necessidade de melhorias no acesso e resolutividade da atenção em saúde bucal de pacientes com esquizofrenia. Para tanto, a ESB precisa ser melhor capacitada, com a garantia de insumos e equipamentos indispensáveis ao atendimento desta e de outras populações de risco. Atualmente, quando a existência do próprio SUS está sob forte ameaça, é mister que cada trabalhador da ESF tenha como compromisso pessoal, a defesa por uma saúde pública de qualidade e equânime, sendo essa, condição imprescindível para a justiça social plena, sob pena de vermos fracassar todos os direitos adquiridos pela população brasileira, nestes anos de nossa infante democracia.

Palavras chaves: Saúde bucal; Estratégia Saúde da Família; Transtornos mentais; Esquizofrenia

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