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ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO NO BRASIL: um estudo ecológico analítico de série temporal

RESUMO: O suicídio é definido como um ato consciente de auto aniquilamento vivenciado por aquele em situação de vulnerabilidade, que o percebe como a melhor solução para sair de uma dor psicológica insuportável. No Brasil, entre 2011 e 2016, foram registrados 62.804 óbitos, perfazendo uma média de 11 mil suicídios por ano. Ressalta-se que o risco elevado para suicídio pode ser intrínseco as pessoas com transtornos mentais. Neste contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) tem papel imprescindível e estratégico no cuidado aos pacientes com transtornos mentais na prevenção do suicídio, dado o seu papel de porta de entrada preferencial para a assistência em saúde. O objetivo desse estudo foi analisar a associação de características e processo de trabalho da estrutura na APS e taxas do suicídio. Tratase de um estudo ecológico com abrangência nacional e abordagem analítica. Utilizaram-se os dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SMI) para informações sobre os suicídios e as características socioeconômicas dos municípios nos sítios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ainda das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do inquérito de avaliação externa do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB), ciclos I (2012), II (2014) e III (2017). Associações entre elementos da estrutura das UBS e do processo de trabalho das equipes de APS com as taxas de suicídio foram estimadas por regressão linear de efeitos mistos, com modelagem hierarquizada, estimando-se os coeficientes de regressão brutos e ajustados (b) e respectivos Intervalos de Confiança a 95% (IC95%). A taxa de suicídio aumentou no país, sendo maior no sexo masculino, e os meios mais utilizados foram enforcamento, intoxicação e uso de arma de fogo. Após ajuste dos modelos, as taxas de suicídio foram maiores em localidades com maior proporção de UBS que dispunham de drogas em quantidade suficiente (b = 0.012; P<0.001) e naquelas localidades cujas equipes de APS realizavam menor proporção de autoavaliação (b = -0.006; P=0.020), registro (b = -0.011; P=0.001) e visita domiciliar (b = -0.014; P=0.015). Conclui-se que ações como o monitoramento dos portadores de transtornos mentais na APS podem impactar na redução do suicídio nos municípios brasileiros.

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Suicídio. Estratégia Saúde da Família.

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