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COMPORTAMENTO DA SÍFILIS CONGÊNITA NO ESTADO DO MARANHÃO - BRASIL: análise de 10 anos

RESUMO: A Sífilis Congênita (SC) é uma doença infectocontagiosa sistêmica de evolução crônica causada pela bactéria Treponema pallidum, que acomete o feto por via placentária em qualquer período gestacional ou estágio clínico da enfermidade na gestante não tratada ou com tratamento inadequado. A probabilidade de infecção do concepto depende do estágio da sífilis materna e do tempo de exposição do embrião ou feto à espiroqueta causadora da sífilis. O presente estudo visa analisar o perfil epidemiológico dos casos notificados de Sífilis congênita no estado do Maranhão no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2019. Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa, com dados secundários referentes aos casos de sífilis congênita notificados no estado do Maranhão oriundos do Sistema de Informações sobre Agravos de Notificação- SINAN e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC da Secretaria Estadual de Saúde. Os dados revelaram coeficientes de incidência de sífilis congênita crescentes alcançando 7,24 por mil nascidos vivos (NV) no ano de 2018 e um coeficiente de incidência média de 3,38 por mil NV, sendo Timon a região de saúde com maior coeficiente de incidência com 16,42 por mil NV. As mães das crianças elencadas no estudo estavam na faixa etária entre 20 e 39 anos (73,7%), onde apenas 4,1% realizaram tratamento adequado no período em estudo e16,4% dos parceiros foram tratados concomitantemente. No que diz respeito às crianças, 49,5% foram notificadas ao nascer (0 dia), 45,6% não realizaram teste treponêmico após 18 meses e 75,7% não realizaram teste no líquor, 92,2% apresentaram sífilis congênita recente, tendo 89,00 % sobrevivido e 1,6% evoluído a óbito por sífilis congênita. A SC no Maranhão permanece como grave problema de saúde pública, com incidência mantendo-se acima do limite aceito para o alcance de sua eliminação. É notório que os esforços no propósito nacional de erradicação da SC necessitam ser mais valorizados, objetivando incidência menor ou igual a 0,5 caso/1000 nascidos vivos. Contudo, observou-se uma situação desfavorável, demonstrando a importância do conhecimento do perfil da população afetada para a disponibilização de uma assistência pré-natal de qualidade e uniformidade de condutas de vigilância da SC.

 

Palavras-chaves: Cuidado Pré-natal, Sífilis, Sífilis congênita, Sistema de Saúde.

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