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CONDIÇÕES SOCIODEMOGRÁFICAS E DE SAÚDE BUCAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, E DO SEU ACESSO À ATENÇÃO ODONTOLÓGICA EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÀRIA À SAÚDE (UAPS), FORTALEZA-CE

RESUMO

O estado do Ceará é o terceiro estado com maior índice de Pessoas com Deficiência (PcD), superando os índices nordestino e nacional. Historicamente, PcD tem dificuldade de acesso aos serviços odontológicos, apesar de suas condições de saúde bucal (SB) serem desfavoráveis em relação à população em geral. Este estudo tem como objetivo analisar as condições sociodemográficas e as condições de SB das PcD, assim como o acesso à atenção odontológica dessas pessoas em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS), Fortaleza-CE. Realizou-se uma pesquisa transversal e quantitativa, com 230 PcD da área de abrangência da UAPS Maria de Lourdes Jereissati, Fortaleza-CE. Utilizou-se para avaliação um formulário estruturado, com dados sociodemográficos e de acesso, e para as condições de SB um Indicador Comunitário em SB (ICSB). A análise estatística mostrou maior prevalência de PcD intelectual (34,6%) e motora (32,7%), predominando a faixa etária acima de 60 anos (37%), com equilíbrio ente o sexo masculino (49,1%) e feminino (50,9%), a maioria solteiras (52,2%) e sem profissão/ocupação (73%), 43,9% eram analfabetas e com renda familiar em torno de 1,5 a 2 salários mínimos. Sobressaiu as deficiências adquiridas (73,5%), e a presença de 75,2% do cuidador. Quanto ao acesso à atenção odontológica na UAPS, verificou-se pouca procura pelo atendimento (35,2%), sendo que, 72,2% nunca foram atendidos pelo dentista da sua unidade, 52,6% receberam orientação de higiene oral, 89,6% nunca participaram de atividades de promoção e 87,8% nunca receberam a visita de um profissional de SB.Dentre as PcD, a maioria demonstrou desconhecimento sobre o agendamento (85,2%) e a prioridade (69,1%) para o atendimento odontológico para PcD. Sobre as condições de SB, prevaleceram as doenças periodontais (86,9%), seguida da cárie dentária (43,7%). Identificou-se o edentulismo (28,6 %), e quanto ao uso e necessidade de prótese, 29,6% faziam uso e 56, 3% necessitavam de algum tipo de prótese. Diante dos resultados, conclui-se ser necessário conhecer a realidade das PcD, para organização dos serviços e planejamento de ações que venham ampliar e priorizar o acesso; qualificar a atenção odontológica dessas pessoas no âmbito local; e, consequentemente, melhorar as suas condições de SB.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência. Estratégia Saúde da Família. Saúde Bucal. Acesso aos Serviços de Saúde.

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