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CONHECIMENTO, ATITUDE E PRÁTICA DAS MULHERES SOBRE A PREVENÇÃO DO CÂNCER DO COLO UTERINO: UM ESTUDO COM MULHERES DO MUNICÍPIO DE ICÓ, CEARÁ

RESUMO

O câncer do colo uterino é caracterizado pelo aumento desordenado do epitélio que reveste o órgão, afetando todo o tecido subjacente conhecido como estroma. Embora as mulheres busquem mais os serviços de saúde, no Brasil ainda há uma grande incidência de morte relacionada a esse tipo de patologia, sendo um dos tipos de câncer que mais acomete a população feminina. O exame citopatológico, realizado nas Unidades Básicas de Saúde, é utilizado como um método de rastreamento das lesões precursoras desse câncer e sinaliza o direcionamento de algumas ações de saúde. Frente a esse contexto este estudo objetivou verificar o conhecimento, atitude e prática das mulheres sobre o exame de prevenção do câncer do colo uterino, em mulheres de um município do Ceará. Tratou-se de um estudo exploratório com abordagem quantitativa desenvolvido nas salas de espera das unidades de saúde do município de Icó. A amostra do estudo foi aleatória e composta de 379 mulheres. Foi aplicado o inquérito CAP (Conhecimento, Atitude e Prática) previamente utilizado (MALTA, 2014), composto por 46 perguntas. O teste realizado para responder aos objetivos do estudo foi o qui-quadrado. As variáveis sociodemográficas estudadas como potenciais variáveis associadas ao conhecimento, atitude e prática, foram: idade, estado civil, escolaridade, religião, ocupação, trabalho e renda familiar. Na história sexual e reprodutiva foi pesquisada vida sexual e tempo do início da mesma, parceiro fixo, laqueadura, uso de camisinha, método contraceptivo, filhos, idade que teve o primeiro filho, aborto, DST, problema no útero, histerectomia, gravidez e câncer na família. Os dados evidenciaram que em 49,9% das mulheres o conhecimento foi avaliado como inadequado. A atitude inadequada foi em 46,2% das mulheres e a prática inadequada em 40,1%. As seguintes variáveis apresentaram significância estatística para o conhecimento inadequado: estado civil (p=0,016, maior entre solteiras), escolaridade (p < 0,001, maior entre analfabetas ou com ensino fundamental incompleto), renda (p=0,004,maior nas com renda menor de um salário mínimo, não possuir parceiro fixo (p<0,017) e ter DST (p=0,039). A escolaridade das mulheres foi a única variável associada a atitude inadequada (p=0,003). As variáveis estatisticamente associadas a prática inadequada foram: estado civil, faixa etária, trabalho fora de casa, renda familiar, não ter vida sexual ativa, ser laqueada e ter tido o primeiro filho com idade de 25 anos ou mais. Quanto as dificuldades para realizar o exame Papanicolaou na ESF e receber o resultado teve grande destaque a demora do resultado. Percebeu-se a partir desta pesquisa, a importância da educação em saúde acerca da problemática relacionada ao CCU e sua prevenção, como também a necessidade do apoio por parte dos gestores. Tivemos alguns grupos de mulheres com maior risco ao problema estudado, devendo portanto serem priorizadas por os profissionais de saúde e gestores, realizando-se a busca ativa desse grupo para realização de rodas de conversas. Espera-se que os resultados encontrados possam contribuir para a melhoria do atendimento às mulheres e realização de uma maior vigilância quanto a frequência ao exame, visando uma maior abrangência das mulheres, satisfazendo suas necessidades de conhecimento através da troca de saberes.

Palavras-chave: Colo do Útero. Saúde da Mulher. Teste de Papanicolaou.

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