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CONHECIMENTO, ATITUDE E PRÁTICA DE GESTANTES EM RELAÇÃO AO EXAME PREVENTIVO DO CÂNCER DO COLO UTERINO

RESUMO
O câncer do colo do útero configura-se como um importante problema de saúde pública. O exame Papanicolaou tem sido a técnica mais recomendada para o diagnóstico de lesões precursoras, devendo toda mulher, inclusive as gestantes, de preferência até o sétimo mês de gestação, ter acesso ao mesmo. Entretanto, a atividade profissional na Estratégia Saúde da Família demonstrou que as gestantes não realizam o exame durante o pré-natal, fato que motivou a realização do presente estudo, cujo objetivo principal foi analisar o conhecimento, a atitude e a prática de gestantes em relação ao exame preventivo do câncer do colo uterino em Fortaleza. Estudo quantitativo com delineamento transversal realizado na cidade de Fortaleza-Ceará, especificamente em seis Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS). A amostra foi calculada através da fórmula para populações finitas e estratificada dentro de cada uma das UAPS selecionadas, totalizando 214 gestantes que estiveram em acompanhamento pré-natal, maiores de 18 anos de idade, independente do período gestacional, da paridade e do risco gestacional. A coleta de dados aconteceu por meio de entrevista utilizando um formulário do tipo inquérito Conhecimento, Atitude e Prática (CAP), aplicado e seguidamente classificado pela pesquisadora segundo critérios de adequação. Os dados foram exportados e analisados no software estatístico livre Epi-Info, versão 3.5.3. Em todas as análises foi adotado um intervalo de confiança de 95% e nível de significância de 5%. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual do Ceará e aprovado sob o parecer de número 1.309.816. Os resultados apontaram que quase todas (99,5%) as gestantes tinham ouvido falar sobre o exame preventivo do CCU, no entanto apenas 10,7% foram classificadas com conhecimento adequado. Em relação à atitude e à prática, o percentual de adequação foi de 80,8% e 50,9%, respectivamente. Foi revelado que 22,9% das gestantes nunca tinham se submetido ao exame e somente 8,6% realizaram na gestação atual. Os principais motivos citados para não terem se submetido ao Papanicolaou durante a gestação atual foram a falta de solicitação do profissional de saúde (45,9%) e o desconhecimento da possibilidade de realizar o exame na gestação (22,4%). No que concerne ao conhecimento, gestantes com mais idade (p=0,000) e casadas/união estável (p=0,003) apresentaram melhor adequação. A atitude esteve positivamente associada à idade (p=0,042) e à situação laboral (p=0,034). No tocante à prática adequada, apresentou associação significante com média mais elevada de idade (p=0,000), com a classe econômica (p=0,010) e com o uso de método contraceptivo pregresso (p=0,003). Apesar de terem sido observadas
oscilações nos percentuais de adequação entre as secretarias regionais da capital cearense, no geral, o conhecimento, a atitude e a prática das gestantes necessitam ser aprimorados em toda a cidade. Logo, é essencial que a rede de saúde busque alternativas para organizar seus serviços, a fim de que seja prestada uma atenção integral à mulher, focada na promoção da saúde, e oportunizando uma assistência pré-natal de qualidade.
Palavras-chave: Conhecimentos, atitudes e prática em saúde. Neoplasias do colo do útero. Gestantes. Estratégia Saúde da Família.

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