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EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL NA FORMAÇÃO PARA SAÚDE COLETIVA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA COM METASSÍNTESE

RESUMO: A Saúde Coletiva, em seus debates sobre a integralidade, evidenciou fragilidades na formação monoprofissional, que repercutem na desagregação das práticas assistenciais, negando a importância do trabalho colaborativo e compartilhado. A formação dos profissionais precisa capacitar para um campo amplo, que envolve um conjunto de práticas, ideologias, políticas e economias próprias e que contribui para os avanços do sistema de saúde brasileiro. Como alternativa ao modelo tradicional de formação surge a Educação Interprofissional (EIP). Esta pesquisa analisou evidências científicas da EIP na formação de profissionais para Saúde Coletiva. Trata-se de um estudo bibliográfico, do tipo revisão sistemática, por Sandelowski e Barroso (2003), delineamento do método PRISMA e do AMSTAR 2. Os 40 estudos foram selecionados através dos critérios de inclusão com modelagem de metassíntese. Nesta, elegeu-se as etapas do Cochrane Centre e o fluxo com avaliação CASP. Os resultados evidenciam alterações curriculares, engajamento do corpo docente, metodologias ativas, interações Ensino-Serviço e Atenção à Saúde orientada para o paciente e família, estrutura física compartimentada das instituições formadoras, despreparo da docência; modelos de atenção que mescla visões tradicionais e contemporâneas do fazer/agir em saúde. Para uma EIP sustentável na formação para a Saúde Coletiva, os projetos políticos pedagógicos dos cursos correlatos devem apresentar consistência de EIP e sua plena implementação no currículo vivo. É preciso promover a integração entre os diferentes cursos da área da saúde, desenvolvendo competências orientadas pela EIP, entre as várias categorias profissionais, organizando-as em torno de um objetivo comum, a fim de que, trabalhando colaborativamente, qualifiquem e otimizem os resultados em saúde. Intervenções a longo prazo são imperiosas para amparar este complexo conjunto de mudanças, por isso, há a necessidade de estruturas organizacionais, de gestão e pedagógicas que reconheçam o valor e apoiem tais inovações. Entende-se que os resultados desta metassíntese podem colaborar para o enfrentamento de resistências às transformações das práticas em saúde orientadas pela EIP. A coletânea de estratégias e instrumentos metodológicos demonstrados neste estudo pode se constituir em uma referência potente para o desenvolvimento de novos processos formativos e práticas orientadas pela EIP e assim contribuir no campo da Saúde Coletiva. Estudos adicionais exploratórios e longitudinais, com métodos quantitativos, também são incentivados, como necessários a descoberta de inovações nessa área. Ademais, avaliações de impacto a longo prazo em relação a aprendizagem e aos benefícios dos cuidados de saúde a partir de práticas colaborativas orientadas pela EIP, são indicados.

 

Palavras-chave: Educação Interprofissional; Profissionais da Saúde; Saúde Coletiva.

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