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FATORES ASSOCIADOS À FUNCIONALIDADE FAMILIAR DE IDOSOS NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

RESUMO

O envelhecimento populacional e as mudanças no perfil epidemiológico das doenças, com a presença fortemente hegemônica das doenças crônicas, causam impactos na saúde das pessoas idosas e influenciam as mudanças nas estruturas familiares, principais provedoras do cuidado necessário a seus membros idosos mais dependentes. Estes fatores interferem nos aspectos de vida do idoso e, sobretudo, nas relações familiares. A forma como cada família funciona implicará no melhor ou pior cuidado prestado. Conhecer essa dinâmica auxiliará no planejamento assistencial aos idosos mais dependentes. Portanto, pretendeu-se com este estudo avaliar a funcionalidade familiar e os fatores associados de idosos atendidos na Estratégia Saúde da Família. Este estudo foi do tipo transversal e descritivo com abordagem quantitativa. A coleta de dados foi realizada no domicílio por meio de entrevista estruturada com aplicação de um formulário contendo itens sobre os aspectos sóciodemográficos, os hábitos de vida, as condições de saúde, escalas de avaliação funcional do idoso (ABVD e AIVD) e da funcionalidade familiar (APGAR de família). Os dados obtidos foram tabulados no Microsoft Excel 2011 e exportados para o software Epi Info versão 7, onde foi realizada a análise estatística do trabalho. Para a análise de associação entre as variáveis categóricas de interesse e a funcionalidade familiar foi empregado o teste de Qui-quadrado ()2, ou Exato de Fisher, considerando um nível de significância de 0,05. A pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, sob número de parecer 1269652. O estudo mostrou predomínio do sexo feminino, da faixa etária de 60 e 69 anos e média de idade da amostra de 70,4 anos, com baixa renda e baixa escolaridade, sendo a maioria aposentados. Apresentaram uma média de filhos de 4,7 (dp=3,1). A maior parte dos idosos residia com cônjuge, com filhos e netos, com média de corresidentes de 3,1 (dp=1,6). Quanto aos hábitos de vida, apenas 14,1% praticavam atividade física regularmente, 66,6% tinham histórico de tabagismo e 16,1% consumiam bebida alcoólica. Os idosos apresentaram autopercepção de saúde regular (66,6%) e as doenças mais prevalentes foram hipertensão arterial (60,6%) e Diabetes (39,3%). A maioria fazia uso de medicação contínua (78,7%) e sendo a classe de drogas mais utilizadas as cardiovasculares (60,6%). Em relação a percepção dos idosos sobre sua capacidade funcional, a maioria apresentou independência para as ABVD (82,8%) e expressiva dependência parcial nas AIVD (40,4%). Quanto à funcionalidade familiar, os idosos apresentaram famílias funcionais (67,6%) e um importante quantitativo de famílias disfuncionais (32,3%). Não houve associação significativa entre capacidade funcional e funcionalidade familiar neste estudo. Houve associação significativa entre idade e classificação de AIVD (p=0,0235) e entre a autopercepção de saúde com APGAR familiar (p=0,0006). Também observou-se associação com significância entre as variáveis ABVD e AIVD (p = 0,024). Quanto aos domínios do APGAR de família, observou-se uma maior frequência de respostas nunca (16,1%), no aspecto tempo que a família compartilha com o idoso, quando comparada com as demais dimensões. Isto pode revelar a inexistência de um cuidador ou a escassa presença da família, embora os idosos residam com familiares, na maioria dos casos. Acredita-se que os achados do presente estudo podem contribuir para que os profissionais da ESF considerem a dinâmica familiar e os fatores associados a sua funcionalidade no planejamento e direcionamento de suas ações, com o intuito de resguardar a saúde e a qualidade de vida dos idosos mais dependentes e contribuir para a elaboração de intervenções multidisciplinares futuras, como o projeto terapêutico singular e conferências familiares, no sentido de qualificar as relações familiares e promover melhorias no cuidado prestado à pessoa idosa nas suas especificidades.

Palavras-chave: Envelhecimento da população. Relações familiares. Saúde do idoso.

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