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FATORES DE RISCO PARA DIABETES MELLITUS TIPO 2

RESUMO
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma desordem metabólica de etiologia múltipla, caracterizada por hiperglicemia crônica e distúrbios no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas resultantes de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. Está relacionada à obesidade, falta de atividade física e hábitos alimentares não saudáveis. No Brasil, em 2012, a Sociedade Brasileira de Diabetes estimou mais de 12 milhões de diabéticos no País. Este estudo é parte do Projeto de Pesquisa: O impacto das ações preventivas em um grupo com alto risco para Diabetes Mellitus tipo 2. O objetivo foi analisar o risco e as variáveis sociodemográficas, clinicas e estilo de vida para desenvolver DM2. Estudo epidemiológico, transversal, realizado com 371 pessoas do distrito de Dourados, Horizonte - CE, no período de agosto de 2015 a março de 2016. Participaram do estudo pessoas com idade entre 30 e 69 anos sem diagnóstico prévio de Diabetes e que não apresentavam condições crônicas que pudessem interferir na coleta de dados. Foi utilizado o questionário FINDRISK como instrumento de coleta de dados onde se analisou os fatores de risco sexo, idade, IMC, circunferência da abdominal, uso de medicamentos anti-hipertensivos, glicose alterada, atividade física, ingesta de frutas e verduras diariamente e hereditariedade. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisas com Seres humanos do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual do Ceará e aprovado conforme protocolo CAAE nº [47623615.6.0000.5534], parecer nº 1.206.470 com aprovação em 26 de abril de 2016. As prevalências encontradas foram: nenhum/baixo/moderado risco, 85,7%; sexo feminino, 66,8 %; idade ≥45 anos, 59%; IMC elevado, 72%; circunferência abdominal aumentada, 77%; praticavam atividade física, 54%; não comiam verduras e/ou frutas regularmente, 67%; não tomavam medicamentos anti-hipertensivos, 80%; ausência de glicose elevada, 92% e tinham familiar com Diabetes Mellitus, 52%. Entre as pessoas com risco Alto/Muito Alto em desenvolver DM2 verificou-se que a 18,15% eram do sexo feminino; 22,9% tinham idade ≥45 anos; 26,7% apresentaram obesidade (IMC ≥ 30); 18,2% tinham circunferência abdominal aumentada; 17,1% não praticavam atividade física; 15,3% não comiam frutas/verduras diariamente; 43,2% tomam anti-hipertensivos; 10,8% não tinham história de glicose alterada; e 26,3% tinham história familiar de DM2. Apresentou-se estatisticamente significante as variáveis: sexo (p=0,005) e idade (p<0,001) e altamente significante as variáveis: IMC (p<0,001); circunferência abdominal (p<0,001) uso de anti-hipertensivos (p<0,001); exame de glicose alterada (p<0,001) e hereditariedade (p<0,001). Não houve associação estatisticamente significante, atividade física (p=0,209) e comer frutas e verduras diariamente (p=0,582). Concluiu-se que ao identificar e analisar os fatores de risco para DM2 encontrou-se elevadas prevalências de obesidade central, sobrepeso/obesidade e de alimentação inadequada. Exceto um participante, todos apresentaram risco para DM2. Percebeu-se que os estudos sobre o gênero não apontam prevalência sobre o sexo feminino ou masculino. Uma contribuição desta pesquisa foi identificar os participantes que apresentaram risco alto/muito alto para DM2. O estudo mostrou relevância social e acadêmica propondo a estratificação do risco para DM2 como subsídio para investigações e ações multidisciplinares de promoção e prevenção da saúde.

Palavras-chave: Diabetes mellitus. Fatores de risco. Estilo de vida.

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