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FATORES RELACIONADOS À PRÁTICA INADEQUADA DO EXAME PAPANICOLAOU POR MULHERES DO INTERIOR DO CEARÁ

RESUMO

No Brasil, o exame citológico de Papanicolaou é a principal estratégia recomendada para a prevenção do câncer de colo do útero (CCU), orientado para as mulheres de 25 a 64 anos, realizado a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. Esta pesquisa objetivou identificar os fatores relacionados com a prática inadequada do exame Papanicolaou pelas mulheres em um município do interior do Ceará. Para tanto, foi realizado um estudo transversal com abordagem quantitativa. A coleta foi no período de junho à outubro de 2013 no distrito sanitário V do município de Juazeiro do Norte-CE. A amostra foi calculada através da fórmula para populações finitas, perfazendo um valor de 240 mulheres, as quais foram inclusas a partir dos seguintes critérios: ter idade compreendida entre 20 e 59 anos; ter iniciado vida sexual e aceitar participar da pesquisa. Eram excluídas aquelas que não estavam em plena condição física ou mental e não estavam na unidade de saúde no momento da coleta de dados. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados, o inquérito domiciliar do tipo Conhecimento, Atitude e Prática, aplicado e posteriormente classificado pela pesquisadora segundo critérios de adequação. Os dados obtidos foram armazenados e analisados pelo software STATA, versão 12.0. Os dados evidenciaram que todas as entrevistadas informaram ter ouvido falar do exame Papanicolaou, mas em 72,9% destas o conhecimento foi avaliado como inadequado. A atitude inadequada também apresentou percentuais elevados (73,3%). A prática foi classificada como inadequada em 39,2% da amostra, na qual 13,3% afirmaram nunca ter se submetido ao exame, e 23,6% o realizaram há mais de três anos. Após o teste de Odds Ratio ajustado, as seguintes variáveis revelaram relevância estatística para a prática inadequada: idade entre 20 e 29 anos (OR(IC)=2.25), estado civil solteira (OR(IC)=3.18) e conhecimento inadequado (OR(IC)=2.90). As dificuldades encontradas para a realização do exame Papanicolaou na unidade de saúde, as variáveis de maiores percentuais para a prática inadequada foram: falta de material (68,1%), vergonha do profissional (27,6%) e não gostar do profissional que realiza o exame (20,8%). Percebeu-se a partir desta pesquisa, a importância do esclarecimento à população e a comunicação efetiva por parte dos profissionais das equipes da Estratégia Saúde da Família acerca da problemática relacionada ao CCU e sua prevenção, assim como a garantia e apoio à continuidade do cuidado por parte dos gestores.

Palavras-chave: Saúde da mulher. Teste de Papanicolaou. Conhecimentos, atitudes e prática em saúde.

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