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A FORMAÇÃO DE UM GRUPO DE HIPERTENSOS PARA O AUTOCUIDADO: uma pesquisa-ação

RESUMO

Os modos de viver das pessoas mudaram consideravelmente nas últimas décadas, em todo o mundo, sobretudo em países em desenvolvimento como o Brasil. Essas mudanças trouxeram novas formas de adoecer, com destaque para as doenças crônicas e as degenerativas. Uma das doenças crônicas que mais acomete as sociedades contemporâneas, inclusive a brasileira, é a hipertensão arterial sistêmica, que tem alta prevalência e se configura como um grande risco para doenças do sistema circulatório. A Estratégia de Saúde da Família está na primeira linha de enfrentamento dessa patologia e necessita de ações que tenham sustentabilidade nessa empreitada. Por essa razão, consideramos importante desenvolver um estudo para detectar a percepção de uma equipe da Estratégia de Saúde da Família acerca da formação de grupos, do conceito e da importância do autocuidado e da Educação Popular em Saúde, para, a partir de então, formar um grupo de autocuidado para usuários portadores de hipertensão arterial à luz da Educação Popular em Saúde. Os instrumentos empregados para a coleta dos dados foram uma entrevista com os profissionais da Estratégia Saúde da Família para conhecer sua percepção a respeito do tema foco da pesquisa, e um diário de campo, para captar outras informações. A análise dos dados coletados foi feita com base na Análise de Conteúdo proposta por Bardin. No final do estudo, concluímos que os trabalhadores que compõem a equipe estudada tinham uma percepção limitada de educação em saúde, que a entendem basicamente como forma de prevenir doenças, como uma forma de educar e informar a população e desconhecem o modelo proposto pela Educação Popular em Saúde. As práticas desenvolvidas pela equipe eram basicamente palestras proferidas na comunidade sem cronograma ou regularidade. Problemas como apenas parte da equipe desenvolvendo as ações de educação em saúde, falta de adesão de alguns profissionais a essas práticas e calendários de atendimento muito apertados e incompatíveis foram alguns dos entraves que constatamos na realidade pesquisada. Os trabalhadores da equipe têm alguma experiência com o trabalho com grupos de usuários e boas expectativas quanto aos resultados que um grupo de usuários portadores de hipertensão arterial pode trazer, porém a maioria não sabe o quanto é importante o autocuidado para essas pessoas. Para discutir sobre esse tema com a equipe, ministramos oficinas, por meio das quais pudemos confirmar esses resultados e concluir que a equipe precisa se engajar nas atividades de educação em saúde e ter uma agenda de trabalho para que esses momentos sejam respeitados, além de mais espaços para discutir sobre esses e outros temas. Depois das oficinas de capacitação, a equipe optou por organizar uma ação experimental seguindo os moldes da Educação Popular em Saúde pela equipe para os hipertensos da área de abrangência, a qual trouxe excelentes resultados e sustentabilidade no âmbito local. Acreditamos que essa foi a semente plantada para fundar o grupo de hipertensos, com vistas ao autocuidado, guiado pela Educação Popular em Saúde, e o início da mudança das práticas de educação desenvolvidas pela referida equipe.

Palavras-chaves: Hipertensão arterial sistêmica. Trabalho com grupo. Autocuidado. Educação Popular em Saúde. Qualidade de vida. Estratégia de Saúde da Família.

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