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GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: Pesquisa-ação para reorientação da demanda espontânea

RESUMO: O processo de trabalho da Estratégia Saúde da Família (ESF) contempla o desenvolvimento de ações multidisciplinares, com planejamentos realizados a partir das necessidades específicas da população. Para isso, preconiza os atendimentos por meio de agendamento de consultas aos grupos de maior risco e vulnerabilidade, mantendo a assistência a demanda espontânea e aos casos que necessitam de atendimento de urgência. Essa necessidade de organizar o atendimento por meio de consultas programadas sem negligenciar a busca espontânea pelo serviço de saúde tem sido um dos grandes desafios do processo de trabalho da ESF. Diante do exposto, esta pesquisa objetivou construir um plano de ação de corresponsabilização entre gestores, profissionais e usuários para a reorientação da demanda espontânea em uma unidade rural do município de Petrolina-PE. Trata-se de um estudo intervencionista do tipo pesquisa-ação com abordagem qualitativa realizada no período de janeiro a setembro de 2019. Participaram do estudo 11 sujeitos, sendo três representantes da gestão municipal de saúde, quatro profissionais de saúde e quatro líderes comunitários locais. O cenário foi a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Projeto Maria Tereza (km25) localizada no município de Petrolina-PE. A pesquisa foi estruturada em duas etapas: uma exploratória e outra de intervenção. A primeira consistiu na análise do perfil dos usuários que buscam atendimento de maneira espontânea através de dados coletados nos relatórios do e-SUS e no livro de registro da demanda da unidade; além da realização de uma entrevista semiestrutura a fim de verificar o conhecimento dos sujeitos sobre a ESF, seu processo de trabalho e gestão participativa. A fase de intervenção contemplou a apresentação dos dados da fase exploratória, discussão e elaboração do plano de ação. O estudo seguiu os preceitos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos, conforme parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Cariri (URCA) sob Nº 3.203.082. Constatou-se que a equipe de ESF do estudo atende a uma população quatro vezes maior do que é preconizado pelo Ministério da Saúde, o que agrava a problemática, 45,8% da busca pelo serviço ocorrem de maneira espontânea principalmente entre usuários do sexo feminino e na faixa etária de 20 a 34 anos, sendo as principais queixas referidas as afecções do aparelho digestivo e respiratório. Parte desses usuários não consegue atendimento em detrimento do grande número de pessoas em tratamento continuado. Observou-se que além do número insuficiente de equipes para atender a população, a problemática da demanda está associada ao desconhecimento da proposta de trabalho da ESF e é culturalmente influenciada pelas práticas do modelo biomédico. Por ser um problema complexo e macro estrutural foi necessário realizar uma reunião de cogestão para discutir e analisar a situação, o que resultou na elaboração de estratégias de intervenção e de corresponsabilização entre os sujeitos. O plano de ação foi elaborado de maneira democrática com elaboração de metas coletivas seguindo as diretrizes do Planejamento Estratégico Situacional (PES). Destaca-se, porém, que o maior produto dessa pesquisa foi o envolvimento e cooperação entre os representantes da gestão, dos profissionais e dos usuários para discutir o processo de trabalho na ESF.

 

Palavras chaves: Demanda espontânea, Cogestão, Estratégia Saúde da Família.

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