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IMPLANTAÇÃO DO ACOLHIMENTO EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE UM MUNICÍPIO DE GRANDE PORTE DO NORDESTE BRASILEIRO

RESUMO: No Brasil, muitos desafios se interpõem à efetivação do princípio da integralidade da assistência em saúde, como a ampliação do acesso com qualidade aos serviços e a falta de preparo dos profissionais para lidar com a dimensão subjetiva nas práticas de atenção à saúde. Com o intuito de melhorar a qualidade dos serviços prestados à população, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no Sistema Único de Saúde – HumanizaSUS. Essa Política aponta como uma de suas diretrizes o acolhimento, com a proposta de otimizar a porta de entrada dos serviços, incluindo a Unidade de Saúde da Família (USF), facilitando o acesso e orientando o fluxo do usuário. Esse estudo teve como objetivo implantar o acolhimento como estratégia de gestão do cuidado em uma USF de um município de grande porte do Nordeste brasileiro. Tratou-se de um projeto de intervenção com abordagem da pesquisa-ação. Antes da implantação do acolhimento, havia a centralização no médico e o fluxo de atendimento era rígido, restringindo o acesso da população ao serviço. As reclamações e a insatisfação persistente motivaram a equipe para a implantação do acolhimento na USF. Após a mudança, o novo processo de trabalho flexibilizou as funções, descentralizando a responsabilidade do atendimento para o restante da equipe e eliminou as filas de demanda espontânea diárias na porta da unidade. Para a avaliação da implantação do acolhimento, realizou-se estudo descritivo e transversal por meio da aplicação de questionário quantitativo com 210 usuários e realização de entrevista semiestruturada com 10 profissionais da USF. Os dados dos usuários foram analisados por meio da estatística descritiva e inferencial por meio do teste Quiquadrado de Pearson com nível de significância de 5%. Para as falas dos profissionais, foi utilizada a análise de conteúdo com abordagem temática. Os usuários avaliaram que houve melhoria com a implantação do acolhimento (92,4%, n=194), refletida na conduta dos profissionais durante o mesmo (58,6%, n=123), estando essa avaliação positiva significativamente relacionada à satisfação com as informações oferecidas pelos profissionais durante o atendimento (p≤0,05). Um menor tempo de espera para o agendamento da consulta também foi associado significativamente à uma boa avaliação dos usuários sobre a implantação do acolhimento (p≤0,05). A percepção dos profissionais também foi positiva e as categorias obtidas relacionaram-se a: facilitação do acesso à USF, resolutividade do atendimento, otimização do processo de trabalho e humanização como forma de compreender o usuário sem restrições respeitando suas diferenças. A implantação do acolhimento na USF proporcionou mudanças significativas e sustentáveis, afirmando a necessidade de integração entre o cuidado e a gestão do processo de trabalho na produção do cuidado em saúde, com formação de espaços para que os trabalhadores possam refletir sobre sua prática, além do investimento na humanização dos serviços, sobretudo na Atenção Básica.

 

Palavras-chave: Acolhimento; Saúde da Família; Humanização da assistência; Avaliação em Saúde.

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