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INTERNAÇÕES DE IDOSOS POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL (2008-2018)

RESUMO: O objetivo geral deste estudo foi analisar a associação da cobertura da Estratégia de Saúde da Família e dos indicadores socioeconômicos com as internações por condições sensíveis à Atenção Primária em idosos residentes na região Nordeste do Brasil. Trata-se de um estudo ecológico, em que a unidade de análise foi a região Nordeste do Brasil com seus registros de ICSAP em idosos de até 74 anos no período entre janeiro de 2008 a dezembro de 2018. Os dados referentes à cobertura da ESF, aos indicadores socioeconômicos e às ICSAP foram extraídos, respectivamente, do Sistema de Informação e Gestão da Atenção Básica (eGestor), do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil e do Sistema de Informação Hospitalar do Sistema Único de Saúde (SIHSUS); e analisados pelo software STATA 13.0. Para análise de associação das ICSAP e da cobertura da ESF com o tempo (tendência) e entre as ICSAP e a cobertura da ESF, utilizou-se o Coeficiente de Spearman (r) a um intervalo de confiança de 95% (IC: 95%) e nível de significância de 5% (p-valor < 0,05). Foram considerados satisfatórios valores absolutos de r acima de 0,5. Para avaliar o efeito dos indicadores socioeconômicos nas taxas de ICSAP em 2010, utilizou-se o teste de Wald no modelo de regressão linear múltipla (IC: 95%) por meio da técnica de stepwise (pe < 0,05). Entre 2008 e 2018, o Nordeste registrou 1,88 milhões de ICSAP em idosos, o equivalente a 424,52 ICSAP por 10.000 idosos (47,12% das internações totais). As maiores taxas de ICSAP foram observadas em idosos do sexo masculino (465,85 por 10.000) e com faixa de idade de 70 a 74 anos (597,82 por 10.000), no grupo de condições crônicas (238,41 por 10.000), no estado do Piauí (619,35 por 10.000) e no ano de 2009 (491,19 por 10.000). Houve tendência de redução das ICSAP ao longo do período (r: -0.8586), sendo mais expressiva no gênero feminino (r: -0,9366); em idosos de 60-64 anos (r: -0,8795), para as condições crônicas (r: - 0,8657) e nos estados da Bahia (r: -0.9909) e Rio Grande do Norte (r: - .9909). Não houve redução das taxas de ICSAP em homens (r: -0,4777) e no estado de Sergipe esse coeficiente não foi significativo. A cobertura da ESF se associou fortemente e de modo direto com o tempo (r: +0.9658), principalmente nos estados de Pernambuco (r: +1), onde houve correlação perfeita positiva e em Alagoas (r: +0,9909) e na Bahia (r: +0,9909). Os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe não apresentaram correlação significativa nessa análise. O aumento da cobertura se associou com a redução das taxas de ICSAP (r: -0.8178) no Nordeste, e foi expressiva para os estratos do sexo feminino (r: -0.8883), de 60-64 anos (r: -0.8346) e das condições crônicas (r: -0.8098). Pela análise de regressão linear múltipla, foi possível identificar efeito direto dos altos índices de extrema pobreza nas altas taxas de ICSAP com coeficiente β igual a 27,99 (p-valor: 0,0234). Ou seja, a elevação de 1% na taxa de extrema pobreza produziu o efeito de aumentar proporcionalmente em 27,99 (por 10.000) a taxa de ICSAP. Os resultados desta pesquisa apontam para um aumento da efetividade dos serviços primários no Nordeste do Brasil, que pode estar relacionado à melhoria dos índices de cobertura da ESF e dos indicadores socioeconômicos relativos à renda. Sendo assim, a construção de uma sociedade sustentável e adaptada ao envelhecimento ativo demanda por investimentos na expansão da ESF e em políticas públicas de combate à pobreza e a desigualdade social, fatores que interferem na redução da morbidade da população idosa.

 

Palavras-chaves: Hospitalização. Saúde do Idoso. Atenção Primária à Saúde. Qualidade da Assistência à Saúde. Pesquisas sobre Serviços de Saúde.

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