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MICROPOLÍTICA DA PRODUÇÃO DO TRABALHO NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

RESUMO
O Sistema Único de Saúde é resultado de lutas por reforma sanitária brasileira que surgem no bojo da decadência do modelo hegemônico de atenção à saúde e propõem a Estratégia Saúde da Família (ESF) como meio de reorientação da organização da rede de serviços e das práticas de cuidado em saúde. No entanto, há um longo caminho entre o instituído e o contexto dos serviços. Em Maracanaú, município que se destaca pelo desempenho satisfatório nas ações de saúde, a ESF configura-se como principal modo de reorganização da rede de serviços que recebe investimentos macroestruturais, com vistas a contribuir para este resultado. No entanto, acreditamos que existam produções no cotidiano dos serviços que estão para além destes empreendimentos e se expressam no agir cotidiano dos trabalhadores das eSF em espaços em que estes têm considerável possibilidade de intervenção. Quais movimentos, portanto, são produzidos por estes trabalhadores em Maracanaú? O que estaria subjacente a esta produção? Para responder a estas questões, realizamos pesquisa que pretendeu analisar a micropolítica do trabalho na ESF. Estudo exploratório-descritivo, do tipo pesquisa-ação, com abordagem qualitativa, realizado com oito trabalhadores das eSF de Maracanaú. Para produção dos dados e coleta, foi adotada a técnica dos Mapas Analíticos que consistem em uma abordagem cartográfica de análise dos serviços de saúde a partir dos próprios trabalhadores, em seus processos produtivos. Os dados foram analisados à luz do método de Análise de Conteúdo Temática, a fim de interpretar as mensagens apreendidas nas falas dos sujeitos que compuseram duas temáticas – “Produção e Antiprodução da Estratégia Saúde da Família” e “Afetos que (des)mobilizam produções na Estratégia Saúde da Família” - tendo sido confrontadas com achados da literatura, cuja apresentação ocorreu por utilização de fragmentos das narrativas. Foram observados os preceitos éticos da pesquisa com seres humanos e submetido o projeto à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Estadual de
Saúde. Os resultados reafirmam o pressuposto de que a ESF é produzida cotidianamente nos serviços de saúde a partir das relações estabelecidas entre os trabalhadores com os usuários, gestores, seus pares e consigo. Este espaço é permeado pelo agir destes sujeitos que exercem importante influência sobre a ESF, contribuindo para seu fortalecimento e fragilização enquanto proposta de reconfiguração do modelo de atenção à saúde. A orientação para esta produção ocorre a partir de diretrizes políticas, bem como pelos valores e pela visão de mundo dos trabalhadores, constituindo importantes pistas para o processo de gestão da ESF pelos próprios trabalhadores, bem como pela equipe gestora da Secretaria
Municipal de Saúde daquele município. Lançar um olhar sobre a ESF na perspectiva micropolítica possibilitou identificá-la como território de subjetividade, em que afetos
agenciam processos de produção e antiprodução. Acreditamos que considerar essas questões na reflexão sobre a ESF enquanto modo de reorganização dos modos de produção do cuidado em saúde no SUS e confrontá-las com o cotidiano bdos serviços de saúde poderá contribuir para o enfrentamento dos seus limites e destacar suas possibilidades neste intento.
Palavras-chave: Estratégia Saúde da Família. Gestão em Saúde. Micropolítica.

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