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MODELOS DE PRECEPTORIA DE RESIDÊNCIAS EM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE NO CENÁRIO DE APRENDIZAGEM EM ATENÇÃO PRIMÁRIA NO BRASIL

RESUMO: A especialidade de Medicina de Família e Comunidade (MFC) tem seu princípio no Brasil em 1974. Os três primeiros programas de residência surgiram já em 1976, mas apesar disso, sempre houve uma baixa procura pela especialidade. Diversas políticas têm sido desenvolvidas a fim de reorientar a formação médica com enfoque na Atenção Primária à Saúde, com destaque para o Programa Mais Médicos. Houve uma expansão no número de vagas anuais de residência em MFC passando de 218 em 2003, para 3.587 em 2019. Diante da demanda crescente de residentes, num cenário de poucos especialistas preceptores, diferentes modelos vêm sendo testados no Brasil. Existe escassa literatura nacional e internacional comparada sobre estes modelos de preceptoria e de inserção dos residentes e preceptores no cenário de prática da atenção primária. O objetivo desta revisão foi identificar os modelos de preceptoria em residência de Medicina de Família e Comunidade no cenário de aprendizagem em atenção primária, associado a identificação de fortalezas e fraquezas de cada modelo. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura em bases de dados eletrônicas, ampliadas por busca minuciosa em todos os números das Revistas Brasileiras de Medicina de Família e Comunidade e de Educação Médica. Foram incluídos 14 artigos na revisão, o que resultou em três modelos gerais de preceptoria, com ao menos sete configurações diferentes. Verificou-se que o modo de vinculação do preceptor às equipes e unidades de saúde era o fator mais determinante na configuração dos modelos. Os estudos incluídos nessa revisão eram oriundos de diferentes locais do país, principalmente da região sudeste. Os modelos de preceptoria influenciam na qualidade da assistência, na rotina de trabalho do preceptor e na aprendizagem dos residentes. Também foi observado que os modelos de preceptoria onde o residente compõe equipe e o preceptor se vincula a mais de uma equipe, foi uma estratégia usada para provimento de médicos para a Atenção Primária a Saúde e expansão dos programas de residência. Foi destacado que a formação docente dos preceptores é central na formação do médico residente, independente do modelo de preceptoria adotado. A qualidade dos artigos foi um fator limitante pois apenas três artigos se referiam a dados de pesquisas originais. Mais investigações nesse tema são necessárias para saber se existem mais modelos, além de acessar o impacto desses modelos na aprendizagem e na assistência à saúde da população.

 

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Medicina de Família e Comunidade. Preceptoria. Internato e Residência.

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