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O papel da rede social de apoio no cuidado de crianças egressas de Unidade Neonatal

RESUMO: Nos últimos anos, a sobrevida dos recém-nascidos de risco tem aumentado. Essas crianças apresentam uma grande demanda de cuidados e sobrecarregam mães e cuidadores, que por sua vez necessitam do suporte de uma rede social de apoio. Partindo desse pressuposto, o objetivo deste estudo foi analisar a rede social de apoio no cuidado de crianças egressas de Unidade Neonatal. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de abordagem qualitativa no Município de São Luís/MA com mães e cuidadores de crianças egressas de internação em Unidades Neonatais, nascidas no período de 01 de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2015. A amostra foi coletada de maneira intencional e seu fechamento se deu por saturação teórica. A técnica aplicada para a coleta dos dados foi uma entrevista semiestruturada, baseada em um roteiro previamente elaborado. A análise dos dados foi feita em duas etapas: na primeira, foi utilizada a Análise de Conteúdo na modalidade temática; na segunda, a construção de ecomapas. Resultados: foram entrevistadas 14 mães. Durante o período de internação, bem como de pós-alta da UTIN (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal), constatou-se que os membros da família foram os mais presentes e efetivos na rede de apoio, principalmente o companheiro e a avó materna. Nas relações de amizade, amigas e vizinhas foram as mais citadas. No setor de saúde, a enfermeira e a assistente social tiveram um papel importante como apoio. A ESF (Estratégia Saúde da Família) não foi citada como rede social de apoio nem no período de internação, nem após a alta. Em relação às funções da rede, a ajuda prática –ficar com a criança, preparar comida e trocar fralda, por exemplo – foi a mais referida, sendo realizada pelas avós maternas e pelo companheiro, seguida da função de guia cognitivo e de conselhos, realizada por avós, bisavó, cunhada, benzedeira e pelo setor profissional. A dinâmica da rede social de apoio foi apreendida a partir da construção do ecomapa que apontou rupturas e mudanças de pessoas ao longo do tempo; por outro lado, algumas pessoas se mantiveram como apoio efetivo, nesse período. A ESF compõe a rede social de apoio para a mãe que mora em área de cobertura. Conclusão: A rede social de apoio foi fundamental para o cuidado das crianças. A família nuclear e a extensa compõe a rede social de apoio mais estável ao longo do tempo. No setor profissional, apenas a equipe hospitalar foi citada, mostrando que o cuidado compartilhado com a Atenção Primária ainda é ineficaz.

 

Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva Neonatal. Rede Social. Saúde da Família. Cuidado da Criança.

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