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ORGANIZAÇÃO DO CUIDADO ÀS PESSOAS PORTADORAS DE DIABETES MELLITUS NA PERSPECTIVA DOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

RESUMO - Introdução: O Diabetes Mellitus vem apresentando importância epidemiológica devido o crescente aumento de sua prevalência, reflexo de uma vertiginosa transição demográfica epidemiológica e nutricional. Torna-se um grande problema de saúde pública, principalmente pelas graves complicações que a doença provoca com comprometimento na qualidade de vida das pessoas. Adotado como modelo estratégico para Atenção Primária a Saúde (APS), a Estratégia Saúde da Família atravessa um grande desafio no enfrentamento dessa doença que por ter um complexo nível de abordagem, exige reflexão sobre as práticas do cuidar e da forma como o modelo está organizando sua capacidade de adequações que envolvem ações de educação, prevenção e tratamento, bem como um bom nível de preparação profissional e de organização do serviço para um cuidado desejável. Objetivo: Analisar a organização da atenção às pessoas com Diabetes Mellitus (DM) na percepção dos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) e do Núcleo Ampliado de Saúde da Família - Atenção Básica (NASFAB). Trata-se de um Estudo de Caso de abordagem qualitativa. O cenário do estudo foi o município de Barra de Santana, na Paraíba. Participaram do estudo os trabalhadores das equipes da ESF e do NASF-AB. O Grupo Focal foi o método escolhido para coleta de dados. Os roteiros das entrevistas foram elaborados com base no referencial teórico do protocolo instituído pelo Ministério da Saúde. Para auxiliar na organização e categorização utilizou-se o recurso tecnológico do software Atlas Ti e submetidos à Análise do Conteúdo. Resultados: Os dados foram analisados a partir de cinco categorias temáticas: Conhecimento e medidas de acompanhamento às pessoas com Diabetes Mellitus na área de abrangência pelas equipes de APS; Manejo dos profissionais às pessoas com Diabetes Mellitus, desafios e perspectivas das equipes da APS; Prevenção e manejo das complicações agudas e crônicas do DM pelas equipes de APS e as recomendações específicas às pessoas com Diabetes Mellitus e a abordagem educativa à pessoa com Diabetes Mellitus. Observou-se pouco domínio no conhecimento do perfil de adoecimento das pessoas com DM fragilizando o planejamento das ações desde o diagnóstico precoce, tratamento e manejo adequado das complicações crônicas, com lacunas no domínio técnico dos profissionais, falta de insumos e apoio laboratorial, dificuldades de acesso ao sistema de referência e os contornos da abordagem educativa, pautada no modelo tradicional distanciada do empoderamento para o autocuidado apoiado. Conclusão: A atenção dispensada às pessoas com DM na APS encontra-se fragmentada, voltada para o modelo biologicista, organizado numa demanda espontânea e pouco resolutiva. Com base nos resultados deste estudo sugere-se que os gestores implantem o modelo de atenção às condições crônicas e institua um processo de educação permanente, em diabetes, para os profissionais se capacitarem para qualificar a atenção.

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Doenças crônicas. Diabetes Mellitus. Organização de Serviços.

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