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OS SENTIDOS DE SER PRECEPTOR NAS EXPERIÊNCIASDE INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE DE UM MUNICÍPIO DO NORDESTE BRASILEIRO: DESAFIOS A EDUCAÇÃO NA SAÚDE

RESUMO

O processo de se pensar e fazer saúde passou por grandes mudanças desde a criação do Sistema Único de Saúde, o que, consequentemente, impulsionou mudanças nos processos de formação profissional em saúde, movidas pela necessidade de ter profissionais com uma visão voltada para a integralidade do cuidado em saúde. A partir dessa necessidade, a inserção do estudante nos serviços de saúde passa a ser mais valorizada. Tendo assim o preceptor um papel fundamental na aproximação do estudante com a população e o território, na consolidação da integração ensino-serviço-comunidade. Diante dessa importância, esse estudo foi impulsionado a questionar quais os sentidos que levam os profissionais do serviço a exercem a preceptoria? Eles têm dimensão do seu papel como articulador desse processo de integração? O que motiva esse profissional e quais suas fragilidades? Com essas questões em mente, este estudo objetivou investigar os sentidos de ser preceptor nas experiências de integração ensino-serviço-comunidade, a partir dos discursos dos profissionais preceptores na ESF, O estudo utilizou a abordagem qualitativa com alicerce na produção de sentidos presentes nos discursos dos profissionais preceptores, e tem como base teórica a abordagem das práticas discursivas no referencial construcionista e teve como atores 20 profissionais preceptores na ESF que recebem estagiários de graduações da saúde de instituições de ensino pública e privadas. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, posteriormente transcritas e analisadas, permitindo a construção dos sentidos do ser preceptor a partir de 4 eixos analíticos, a saber: 1. Motivações e potencialidades; 2. Limitações e críticas; 3. Relação ensino-serviço-comunidade; e 4. Ser preceptor. Como resultados foi percebido que o preceptor exerce a função de educador na sua atuação prática. Entretanto tem dificuldade de atribuir-se a função de educador e, apesar de limitações técnicas e educacionais, ele desempenha com compromisso a preceptoria, desejando qualificação e organização dessa prática de modo a não sobrecarregar seu trabalho na ESF. Percebeu-se também que o ser preceptor envolve otrabalho de articulação ensino serviço, mas não na sua dimensão coletiva e tambémsem a articulação com a comunidade e o território como contexto fundamental no processo saúde-doença. Conclui-se que na luta para normalização da função de preceptoria ainda há muito o que avançar, faz-se necessário, porém, refletir sobre os caminhos a serem trilhados no enfrentamento dos obstáculos, com estudos que venham a suscitar soluções para essa problemática, assim como progredir no sentido da qualificação do profissional preceptor para que este possa vim a cumprir essa função com maior propriedade, contribuindo para o fortalecimento do SUS e reafirmação da ESF como cenário para formação em saúde.

PALAVRAS CHAVES: Atenção Básica, Estratégia Saúde da Família, Preceptoria.

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