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PERCEPÇÕES DE GESTANTES SOBRE SAÚDE BUCAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

RESUMO: A gravidez é um evento especial na vida da mulher, tratando-se de uma experiência carregada de emoções. O estabelecimento de uma boa relação paciente/cirurgião dentista que estimule a franqueza, honestidade e confiança é parte integral do tratamento de sucesso. Apesar dos avanços em relação à atenção odontológica, aponta-se, ainda, alguma dificuldade em torno do tratamento durante o período gestacional, dentre os motivos, inclui-se crenças, receios, desinformação e dificuldade de acesso. O objetivo do presente estudo foi analisar as percepções de gestantes sobre saúde bucal na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de um estudo transversal realizado com gestantes em acompanhamento pré-natal nas unidades de saúde da Secretaria Regional VI, município de Fortaleza/CE. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário semiestruturado e os dados obtidos foram categorizados no banco de dados do programa Microsoft Office Excel ® versão 2016 e analisados pelo software IBM® SPSS® versão 20.0. A população da pesquisa foi de 357 gestantes, com maior número na fase adulta, 25 a 39 anos, 195 (54,7%), ensino médio completo 170 (47,6%) e 129 (36,1%) com ocupação do lar. Quando questionadas sobre hábitos de higiene bucal, 355 (99,4%) das pesquisadas utiliza a associação escova de dentes e creme dental, a maioria escova os dentes duas vezes por dia 194 (54,3%) nos períodos da manhã, assim que acorda 339 (95%) e antes de dormir 265 (74,2%). Sobre conhecimentos em saúde bucal, 232 (65%) das gestantes não acha que deve cuidar mais dos dentes durante a gestação e 330 (92,5%) não tem medo ou receio de realizar o tratamento odontológico. Ainda, 213 (59,7%) gestantes afirmaram terem sido orientadas pelos profissionais da equipe a procurarem atendimento odontológico, porém 230 (64,4%) das pesquisadas não consideram importante o acompanhamento pelo dentista durante o pré-natal. Muitas gestantes afirmaram não terem tido tratamento odontológico durante esta gestação, correspondendo a 182 (51%) das pesquisadas, sendo a falta de interesse, 89 (48,9%) e o fato de não ter vaga, 43 (23,7%), os principais motivos. Além disso, 159 (46%) das participantes relataram terem tido dificuldades para o agendamento da consulta e 215 (62,1%) não desejam concluir o tratamento odontológico. Vale destacar que houve associação positiva entre o encaminhamento por profissional da equipe e o atendimento odontológico, bem como entre as gestantes que acham importantes o pré-natal odontológico e o desejo de realizar todo o tratamento. Figura como visível a necessidade de discussão do tema, da ampliação das fontes de informação e a realização de um trabalho de promoção em saúde, com ênfase na inteligência coletiva subsidiando a autonomia para o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas. As políticas de saúde e de atenção integral ao pré-natal devem ter como estratégia a qualificação dos profissionais através de uma concreta política de educação permanente que permita o aprimoramento técnico, mas que também assegure momentos de avaliação dos próprios processos de trabalho a fim de estabelecer competências e condutas, a promoção em saúde bucal e a ampliação da oferta de serviços de atenção odontológica à gestante.

 

Palavras-chave: Gestantes. Saúde bucal. Atenção Primária à Saúde.

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