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PERFIL CLÍNICO EPIDEMIOLÓGICO E NECESSIDADES ASSISTENCIAIS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM UM MUNICÍPIO DE PEQUENO PORTE

RESUMO

Identificam-se avanços na legislação e na atenção à saúde das pessoas com deficiência, com possibilidade de inclusão de forma crescente no conjunto de ações e serviços do SUS. Pouco se sabe a respeito do perfil clínico epidemiológico e das necessidades assistenciais dessa população. Objetivou-se descrever o perfil clínico-epidemiológico e identificar as necessidades assistenciais das pessoas com deficiência em um município de pequeno porte do Estado do Ceará. Trata-se de um estudo descritivo e transversal, realizado no município de Jardim, Ceará, Brasil pertencente à 21ª Coordenadoria Regional de Saúde. Os dados foram coletados no período de novembro de 2015 a julho de 2016, utilizando a ficha de cadastro individual do eSUS Atenção Básica, preenchida pelos Agentes Comunitários de Saúde do município, processados e organizados em um banco de dados no programa EPI INFO versão 7.2 e OPEN EPI 3.03. Realizou-se a análise descritiva dos dados e o teste de associação, considerando variável estatisticamente significativa quando p<0,05. Foram identificados 277 pessoas com deficiência sendo 47,65% com deficiência física, 20,58% deficiência auditiva, 16,97% deficientes visuais, 15,16% deficiência intelectual/cognitiva e 9,57% com outras deficiências. O perfil sócio-demográfico das pessoas com deficiência investigadas evidenciou prevalência do gênero masculino (56,32%), residentes predominantemente na zona rural, concentradas na idade produtiva de 20 a 59 anos (50,18%), na maioria analfabetos e/ou baixa escolaridade e 20,65% frequentam escola/creche. A aposentadoria (56,31%) é ocupação predominante dessas pessoas. O perfil clínico-epidemiológico demonstrou prevalência de hipertensão arterial (31,76%), seguida do diabetes mellitus (11,91%) e do acidente vascular cerebral (8,66%). Predominou fumantes (15,52%), domiciliados (31,04) e uma parcela vive acamado (9,38). Muitos estão em tratamento com psiquiatra/internação em saúde mental e todos são SUS dependentes. Houve significância estatística para hipertensão e deficiência visual (p=0,0045) e intelectual (p=0,0063); diabetes e deficiência visual (p=0, 034); AVC e deficiência física (p=0,001), internação entre pessoas com deficiência física (p=0,0018) e tratamento de saúde mental para pessoas com deficiência física (p=0,079) intelectual/congnitiva (p=0,041) e outra deficiência (p<0,001); acamados e deficientes físicos (p=0,0027). As necessidades assistenciais apresentadas são peculiares à própria deficiência, como acessibilidade física e assistencial. Ressalte-se a necessidade de diagnóstico/identificação precoce das deficiências, inclusão escolar e social, bem como acesso às tecnologias assistivas e acompanhamento/tratamento das problemáticas envolvidas na deficiência relacionadas à área técnica e de gestão. Prevaleceu a deficiência física como principal deficiência. Destaca-se que o atendimento às necessidades assistenciais das pessoas com deficiência envolve atendê-las de acordo com as peculiaridades apresentadas pelas mesmas, estando relacionadas ou não, à deficiência em si.

Palavras chave: Perfil de saúde. Necessidades assistenciais. Pessoas com deficiência.

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