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PRÁTICAS DE ENFERMEIROS (AS) NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DO CEARÁ: UM ESTUDO QUALITATIVO

A Estratégia Saúde da Família (ESF) desde 1994 vem se firmando como modelo de atenção preferencial para Atenção Primária à Saúde (APS) brasileira. Considerando que o Ceará foi o Estado pioneiro no processo de buscar garantir APS, por meio da ESF e que os/as enfermeiros/as integraram as equipes de Saúde da Família (eSF) e desempenham um conjunto de práticas de saúde, desde o princípio da ESF, este estudo traz o seguinte questionamento: Como os enfermeiros (as) e gestores municipais de saúde percebem as práticas profissionais dos/das enfermeiros/as na ESF em municípios cearenses? Objetiva-se analisar as práticas profissionais dos/das enfermeiros/as, que atuam na ESF em municípios do Ceará. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado de outubro de 2017 a janeiro de 2018 em quatro municípios cearenses: Cruz, Eusébio, Fortaleza e Tauá. Os participantes totalizam 17, sendo oito enfermeiros/as, dois de cada município, e nove gestores (secretário municipal de saúde e coordenadores de atenção básica dos respectivos municípios). Utilizou-se a entrevista semiestruturada e adotou-se a análise temática. A discussão se deu a partir das categorias: Processo de trabalho de enfermeiros na ESF: desafios relativos ao acolhimento de usuários, a organização do serviço e a gestão municipal; Vivência de enfermeiros/as na ESF: do sentido do trabalho a saúde do trabalhador e processo de trabalho de enfermeiros/as na ESF na dimensão da atenção, promoção e gerência: um cenário de mudanças. Os resultados apontaram que as práticas destes profissionais são orientadas por premissas administrativas,
gerenciais, assistenciais e relacionais. Das atividades de atenção que apareceram como escopo de prática dos enfermeiros/as na ESF, destacaram-se os atendimentos aos grupos prioritários: crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, entre outros. A consulta de enfermagem apareceu nos relatos dos entrevistados e a prescrição de medicamentos apresentou-se como atividade que ainda gera questionamentos por parte de outras classes profissionais e entre os próprios/as enfermeiros/as. Percebeu-se que o/a enfermeiro/a realiza atividades de educação em saúde como: Programa Saúde na Escola (PSE), palestras, grupos, sala de espera e campanhas nacionais com temas pré-determinados. Sobre o trabalho em equipe, enfermeiro/a e ACS se aproximam do exercício da interprofissionalidade. As práticas inovadoras na visão dos entrevistados foram: atendimento compartilhado, o avanço tecnológico, a utilização da criatividade e de redes sociais e apoio às atividades gerenciais. Surgiram nas falas dos/das enfermeiros/as entrevistados/as expressões de sentimentos de: impotência por não conseguir responder as expectativas dos usuários; sobrecarga de trabalho; insatisfação, como consequência de pouco reconhecimento pelo seu trabalho, apresentando que esses fatores influenciam negativamente à saúde deles. As práticas exercidas pelo/a enfermeiro/a na ESF dão suporte ao funcionamento da equipe e respondem a diversas necessidades dos usuários, sem, todavia, apresentarem-se consolidadas. Conclui-se que persiste na ESF a prática assistencial fragmentada nos diversos saberes, agendas pouco flexíveis e atendimento burocratizado por normatizações. Há a necessidade de demonstrar a importância e a capacidade técnica e social, que tem o/a enfermeiro/a na APS, bem como a qualificação do processo de trabalho na eSF relacionada as múltiplas possibilidades de funções desenvolvidas pelo/a enfermeiro/a. 

Palavras-chave: Enfermagem em saúde pública; Estratégia saúde da família; Atenção primária à saúde; Competência profissional.
 

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