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PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES: PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

RESUMO: O objetivo do presente estudo foi analisar as percepções dos profissionais da Atenção Primária de Saúde (APS) em relação às Práticas Integrativas e Complementares (PIC). Realizou-se um estudo descritivo com profissionais da saúde de nível superior da APS do município de Caucaia. Para a coleta dos dados foi utilizado um questionário composto por questões abertas e fechadas. Os dados foram processados por meio do Programa SPSS versão 20. Foi realizada análise descritiva dos dados, análise de qui quadrado e análise lexical das questões abertas. Dos 174 profissionais de saúde participantes do estudo, verificou-se que a maioria era do sexo feminino (n=130, 74,7%) na faixa etária de 31 a 40 anos (n=91, 52,3%). Em relação à categoria profissional, as mais prevalentes foram enfermeiros (n=74, 42,5%), médicos (n=53, 30,5%) e dentistas (n=25, 14,4%). Quando questionados quanto ao conhecimento sobre as PIC, 164 (94,3%) participantes da pesquisa declararam positivamente. Sendo a acupuntura a mais conhecida pelos profissionais (n=161, 92,5%). A maioria dos profissionais considera as PIC eficientes (n= 160, 92,0%), que as concepções que possuem sobre as PIC estão relacionadas ao ensino de graduação (n=92, 52,9%), 163 (93,7%) consideraram que estas práticas devem ser inseridas nos cursos de graduação e 162 (93,1%) na pós-graduação. A maioria dos profissionais teve experiência com as PIC através de leitura e/ou reportagem sobre o assunto (n=103, 59,2%), 18,4% (n=32) afirmaram já utilizar as PIC na assistência aos pacientes, e a mais utilizada é plantas medicinais / fitoterapia (n=15, 8,6%). Somente 25 (14,4%) afirmaram ter participado de capacitação e/ou especialização em PIC, todavia 94,8% (n=165) consideram que as PIC podem contribuir para sua vida profissional. Além disso, 161 (92,5%) apontaram também que as PIC são importantes para a atenção em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) e esse mesmo percentual considera necessária a inserção das PIC na unidade de saúde que atua, bem como 144 (82,8%) afirmaram que há interesse dos usuários por essas práticas. Vale destacar que 27 (15,6%) dos profissionais também afirmaram já existir essas práticas em pelo menos uma Unidade Básica de Saúde (UBS), sendo a mais frequente a auriculoterapia (n=19, 70,4%). Sobre a Política Nacional das PIC, somente 41 (23,8%) dos participantes declararam conhecer. Afirmar sim, quando questionados se consideram as PIC importantes para a atenção à saúde no SUS, demonstrou correlação com o tempo de serviço (p=0,0001) e entre aqueles que afirmaram que as PIC podem contribuir para sua vida profissional (p=0,000). Assim como utilizá-las na assistência aos pacientes foi associado à experiência na pós-graduação, ter se submetido às PIC ou o familiar e ter participado de capacitação sobre PIC. Na análise lexical sobre a importância das PIC para atenção à saúde foram identificadas quatro classes: tratamento, opção terapêutica, acesso e melhor vínculo. O presente trabalho, constatou um ambiente favorável entre gestores das UBS e profissionais da assistência para a inclusão das PIC na APS municipal. Foram identificadas necessidades de intervenções educativas, tanto para conhecimento e utilização efetiva dessas práticas, bem como das lacunas de conhecimento sobre a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Palavras-chave: Terapias Complementares. Pessoal de Saúde. Atenção Primária à Saúde.

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