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PRECEPTORIA NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PELO TRABALHO NA PERSPECTIVA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

RESUMO
Objetivou-se compreender a percepção de profissionais de saúde na função de preceptores do Programa de Educação pelo Trabalho PET-Saúde, identificando as
práticas exercidas, potencialidades, desafios e significados do exercício de preceptoria. O SUS tem como competência a formação de seus profissionais. No sentido de aproximar academia ao serviço e comunidade, influenciar a aprendizagem do estudante e promover remodelagem curricular, buscando formação de profissionais com perfil adequado às necessidades do sistema de saúde, o Ministério da Saúde institui esse Programa. A Estratégia Saúde da Família emerge como possibilidade de reestruturação dos serviços e novas práticas de intervenção na atenção à saúde. Sendo potencial cenário para reflexão da formação e qualificação dos serviços, o PET-Saúde propõe que estudantes da área da saúde
atuem nos serviços, realizando ações de pesquisa, extensão e intervenção, tendo como preceptores profissionais vinculados à ESF. O estudo desenvolveu-se em uma Coordenadoria Regional de Saúde, do município de Fortaleza-CE. Pesquisa descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa, cujos sujeitos sociais foram profissionais que executavam as práticas. Utilizou-se para coleta de dados entrevista semiestruturada, gravadas e transcritas. A organização e análise dos mesmos fundamentam-se na perspectiva crítica reflexiva da Análise de Conteúdo Crítica. Foram entrevistados 15 preceptores, lotados em Unidades de Saúde, que atuaram por pelo menos um ano nessa função. Os resultados apresentaram que esses preceptores eram motivados a participar do PET, através da oportunidade de reaproximação com a universidade e da qualificação profissional. Proporcionava movimentos de mudanças na rotina e estímulo ao trabalho. A rotina desmotivante era renovada com a presença dos estudantes, que traziam à juventude ideias novos
e novos olhares no desenvolvimento das atividades. Eles se reconheceram como responsáveis no intercâmbio do aprendizado e mostraram-se preocupados com a qualidade da formação dos acadêmicos. Interagiam com a comunidade através de ações de prevenção e educação em saúde, a partir das necessidades surgidas no planejamento, e os estudantes eram incentivados a participar de ações rotineiras do serviço. Algumas relações se entrelaçam, além dos estudantes, havia a relação com tutores, gestores e outros profissionais. A relação com tutores era boa, porém necessitava de maior proximidade deles no cenário de prática. A relação com gestores poderia fluir bem, colaborando na interação ou criando barreiras. Nessa função, superavam o sentimento de isolamento no trabalho, experimentando atuação em equipe multiprofissional e atitudes colaborativas na relação com os acadêmicos. Contribuíam para o aprendizado do aluno, respeitavam e fortaleciam suas potencialidades e diferenças. Caminhavam para possibilidades de lidar com novos olhares e gostavam disso. Mostraram dificuldades com questões relacionadas ao incentivo e à disponibilidade de tempo dos alunos. Mudar práticas instituídas, contudo, não é tarefa fácil. Avaliaram que o programa ao sair da Unidade esmorecia, e as atividades voltavam à rotina. Há necessidade de melhor formação sobre metodologias científicas e pedagógicas. O programa é potente, mas é necessário implementar gestões dialógicas para melhor circulação das potencialidades do PET nos serviços.
Palavras-chave: Saúde da família. Ensino em Saúde. Preceptor. Educação Permanente.

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