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Promoção da alimentação saudável na Atenção Primária à Saúde: contribuição para construção coletiva do saber-fazer

RESUMO
O reconhecimento da alimentação como determinante e condicionante do processo saúde-doença exige novas explicações e intervenções da ação política em alimentação e nutrição e demanda modelo de atenção à saúde pautado na integralidade das ações e centrado na promoção da saúde. Este estudo, caracterizado como pesquisa-ação de caráter intervencionista, buscou desenvolver estratégias para apoiar a inserção transversal das ações de promoção da alimentação saudável nas práticas de profissionais de um Núcleo de Apoio à Saúde da Família e uma Unidade da Estratégia Saúde da Família no município de Natal, capital do Rio Grande do Norte, a partir da análise das percepções e processos de trabalho dessas equipes. Foram adotadas várias estratégias metodológicas: Círculo Hermenêutico Dialético, Observação Direta, Encontros Temáticos Reflexivos e Oficina “Repensando as práticas educativas para promoção da alimentação saudável”. Para registro de dados, foram utilizados os Diários de Pesquisa-DP e de Momentos-DM. A análise ocorreu de forma processual, em conjunto com os participantes da pesquisa, em constante movimento de reflexão-ação-reflexão, com base na hermenêutica-dialética. Quanto aos resultados, em relação à promoção da saúde, evidenciaram-se as seguintes percepções: promoção da saúde associada à prevenção de doenças e agravos; promoção da saúde relacionada à qualidade de vida e ao bem estar, em suas várias dimensões; promoção da saúde enquanto responsabilidade do Estado; promoção da saúde relacionada às ações de educação em saúde; promoção da saúde como expressão da resolutividade e acessibilidade aos serviços de saúde. Quanto à alimentação saudável, predominaram as percepções referentes aos aspectos nutricionais. No que se refere à educação alimentar e nutricional-EAN, observou-se predominância da percepção de EAN como informação, orientação e transmissão de conhecimentos para mudanças de práticas alimentares. No que diz respeito ao processo de trabalho, observou-se que entre as ações para promoção da saúde, predominam as atividades educativas, como palestras, rodas de conversas, que na maioria das vezes, ocorrem de forma fragmentada, sem planejamento conjunto entre as equipes, variando de acordo com os profissionais e o momento de trabalho em que são realizadas. Os resultados apontaram para a necessidade de reorganização dos processos de trabalho, na perspectiva da articulação intra e intersetorial e da construção de novas tecnologias, tais como: Projeto de Saúde do Território – PST, Projeto Terapêutico Singular-PTS, Clínica Ampliada e Compartilhada, práticas educativas com metodologias ativas de ensino-aprendizagem. A partir dos resultados consideramos que se faz necessário a “reforma do pensamento”, por meio de mudanças na formação profissional e do fortalecimento dos espaços de educação permanente, considerando a complexidade que envolve a alimentação, a educação alimentar e nutricional e a promoção da saúde. A reforma do pensamento deve estar articulada e imbricada à produção de saberes e práticas que favoreçam a intersetorialidade, a transversalidade, o diálogo e a postura democrática e solidária, com base na construção coletiva do saber-fazer. Esperamos que esse estudo possa contribuir com reflexões e iniciativas que estimulem a construção de práticas que promovam a alimentação saudável na Atenção Primária à Saúde, na perspectiva da integralidade do cuidado e da realização da Segurança Alimentar e Nutricional.
Palavras - Chave: Promoção da Saúde. Educação Alimentar e Nutricional. Clínica Ampliada. Pesquisa participativa. Integralidade.

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