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QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE VACINAÇÃO NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE E INCOMPLETUDE VACINAL INFANTIL: uma análise comparativa das Coortes BRISA, São Luis-MA e Ribeirão Preto-SP

RESUMO: Este estudo objetivou analisar a relação entre incompletude vacinal infantil e qualidade dos serviços de vacinação nas cidades de São Luís/MA e Ribeirão Preto/SP. Trata-se de um estudo transversal, analítico, com dados secundários de crianças na faixa etária de 13 a 35 meses de idade das cidades de São Luís/MA E Ribeirão Preto/SP. A amostra foi composta de 2.744 crianças em São Luís e 3.325 em Ribeirão Preto. Os dados sobre incompletude vacinal em crianças na faixa etária dos 13 aos 35 meses foram obtidos das coortes de nascimento BRISA. Os dados sobre os serviços de vacinação das unidades básicas de saúde (UBS) foram obtidos do banco de dados do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade (PMAQ). Para a análise espacial, verificou-se a completude vacinal das crianças em relação a qualidade dos serviços de vacinação nas UBS (levando-se em consideração os itens relacionados a organização (recursos humanos e horário de funcionamento) e estrutura do serviço (ambiente, equipamentos em condições de uso, material sempre disponível e imunobiológicos do calendário do ano de 2010) e utilizando mapas de ponto. Foi adotado o teste Qui quadrado para verificar se houve diferença estatisticamente significante entre as seguintes proporções (p<0,05): características sociodemográficas, maternas, uso dos serviços de saúde e incompletude vacinal infantil das crianças. Foi possível verificar que a incompletude do esquema vacinal foi maior em São Luís, com maiores percentuais para as vacinas rotavírus humano e tríplice viral. Enquanto que em Ribeirão Preto/SP, a vacina com maior percentual de incompletude foi a BCG. Nas duas cidades, o item da estrutura do serviço de vacinação com menor disponibilidade foi o termômetro de máxima e mínima. A vacina menos disponível em Ribeirão Preto foi a Tetravalente e em São Luís, a Tríplice viral. A cobertura de EAC, ESF e AB e o maior número de estabelecimentos que realizam parto foi maior em São Luís, enquanto que Ribeirão Preto apresentou melhor cobertura de PBF e razão de UBS com serviço de vacinação. Nas duas cidades, as crianças do estudo apresentaram semelhanças: maioria eram filhos de mães adultas, com escolaridade de 9 a 11 anos de estudo e não residiam com irmãos no domicílio. Mas apresentaram diferenças na classe socioeconômica, cuja maioria das mães das crianças pertenciam a classe C em São Luís e A e B, em Ribeirão Preto. Nas duas cidades com condições socioeconômicas diferentes, a completude do calendário vacinal das crianças parece independer da localização e da qualidade do serviço de vacinação das UBS. Apesar da cidade de São Luís apresentar melhor estrutura dos serviços de vacinação, a incompletude do calendário infantil foi maior quando comparado a Ribeirão Preto. Fatores relacionados ao processo de trabalho e características individuais podem estar contribuindo para o atraso vacinal infantil.

 

Palavras-chave: Saúde da criança; Analise espacial; Programas de imunização

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