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RECONSTRUÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS EDUCATIVAS NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

RESUMO

A Educação Popular em Saúde potencializa as práticas educativas na Estratégia Saúde da Família (ESF) por apresentar referencial caracterizado pelo diálogo, proporcionar humanização através da compreensão integral do ser humano, possuir matrizes pedagógicas participativas e problematizadoras apropriadas à formação de atores sociais empoderados e conscientes. Apresentou como objetivo ressignificar as práticas educativas em saúde da ESF, fundamentadas na Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS (PNEPS-SUS). Possui abordagem qualitativa, tratando-se de uma Pesquisa-intervenção, desenvolvida em março de 2016 na Unidade Básica de Saúde 33, Juazeiro do Norte-CE. Foram realizados três Círculos de Cultura para coleta de informações e intervenção. Contou com dez participantes: Médico, Técnica de Enfermagem, Agente Administrativa, Auxiliar de Serviços Gerais e seis Agentes Comunitários de Saúde (ACS); ressalta-se que a Enfermeira atuou como facilitadora. Utilizou-se para registro: filmagens, fotografias e observação estruturada; as informações foram ordenadas, classificadas e analisadas de acordo com o referencial teórico. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Cariri sob o Parecer Nº 1.437.752. Quanto aos saberes e práticas acerca de Educação em Saúde/Educação Popular em Saúde no âmbito da ESF encontravam-se permeados pela educação autoritária e pela populista, perpetuando o caráter prescritivo para evitar doenças e ter saúde, convencendo o indivíduo de que faz parte do processo educativo; reconheciam a importância da educação dialógica libertadora, mas desconheciam os métodos e procedimentos para desenvolverem-na; percebiam que o modelo biomédico ainda vigorava na ESF, apontando a atuação sobre os determinantes sociais como imprescindíveis para a promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida da população; compreendiam o modelo centrado na pessoa como aquele que enxerga a pessoa doente e não a doença, percebendo os avanços proporcionados pela ESF, porém reconheciam a necessidade de transformação de mentalidades e comportamentos para reorganização do processo de trabalho sob essa perspectiva. Ao aproximar e trabalhar os princípios orientadores da PNEPS-SUS (diálogo, amorosidade, problematização, construção compartilhada do conhecimento, emancipação e compromisso com a construção do projeto democrático popular) com os trabalhadores de saúde percebeu-se que alguns aspectos eram desenvolvidos intuitivamente no cotidiano da ESF, que apresentavam interesse em conhecer e sugestões de como sistematizá-los nas práticas educativas. Foi identificado o conhecimento e experiências dos participantes acerca das Técnicas Pedagógicas Participativas: vivenciais (descontração/animação, relaxamento, integração e formação participativa); atuação e musicalidade (apresentação teatral/teatro de bonecos, dança, repente e paródia musical); audiovisuais (filme/vídeo e exposição dialogada/roda de conversa); e visuais (recorte e colagem/produção de painel, desenho/pintura, texto/narrativa, cordel/poesia e panfleto/jornal), servindo como guia para o plano de ativação de mudanças das práticas educativas na ESF. O plano foi elaborado em formato de Oficinas, considerando a realidade dos sujeitos, saberes e vivências, interação científica e popular, desafios e possibilidades que circundam a comunicação, a criatividade e a habilidade, ressaltando o papel do trabalhador de saúde enquanto protagonista de práticas dialógicas-libertadoras. Considera-se que esse estudo proporcionou ressignificação das práticas educativas em saúde, potencializou a institucionalização da PNEPS-SUS e que o plano é importante ferramenta para reconstrução do processo de trabalho educativo na ESF.

Palavras-chave: Educação em Saúde, Educação da População e Estratégia Saúde da Família.

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