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RESIDÊNCIAS DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE DE PALMAS - TOCANTINS: UMA ANÁLISE DO PERFIL E FORMAÇÃO DOS SEUS EGRESSOS

RESUMO: A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é a especialidade médica reconhecida por oferecer uma formação que garante os melhores padrões assistências à saúde da população baseados nos princípios da Atenção Primaria à Saúde (APS). Nesta perspectiva, Palmas - TO criou seus programas de MFC a partir do ano de 2012. Esta pesquisa objetivou caracterizar o perfil e a percepção sobre a formação em MFC dos egressos das Residências de Medicina de Família e Comunidade (RMFC) da Fundação Escola Saúde Pública de Palmas (FESP) e Universidade Federal do Tocantins (UFT) em Palmas -TO. Tratou-se de estudo exploratório, descritivo e transversal com abordagem mista. Para a condução deste, foi utilizado questionário com perguntas fechadas e abertas aplicado aos 31 egressos que concluíram a RMFC até o ano de 2018. Os resultados são apresentados em dois artigos. No primeiro, com abordagem quantitativa, realizou-se análise descritiva e inferencial dos dados utilizando-se o teste Qui-quadrado de Pearson, com nível de significância de 5%. Cerca de 77, 4% (n=24) dos entrevistados eram do sexo feminino e 51, 6% (n=16) tinham menos de 30 anos. A maioria (51, 8%, n=18) desenvolvia seu trabalho em Palmas - TO. As principais contribuições da formação na RMFC foram a melhoria na organização e na segurança do processo de trabalho do egresso (32, 5%, n=10) a partir do conhecimento dos atributos da APS, assim como a humanização e o desenvolvimento pessoal (32, 5%, n=10). Todos os participantes declararam ser essencial cursar a RMFC para atuação médica na APS, assim como sinalizaram que a formação contribuiu para torná-los profissionais diferenciados, independente do campo de atuação atual em que estejam inseridos. As principais motivações para a especialidade foram a melhoria de seus conhecimentos na clínica ampliada (33, 3%, n=4), bem como a aquisição de bônus de 10% em outro concurso de residência. As insatisfações relacionaram-se à desvalorização do profissional e baixa remuneração (75%, n=12). O exercício da preceptoria foi significativamente relacionado (p=0, 001) aos egressos que permaneceram na área de MFC. A avaliação do programa mantevese entre boa e excelente (93, 6%, n=29). Para o segundo artigo, com abordagem qualitativa, as respostas foram analisadas e interpretadas com base na técnica de Análise de Conteúdo com abordagem temática de Bardin e os resultados constituíram quatro categorias empíricas: A formação em MFC no Processo de Trabalho do Egresso, Reconhecimento e Aplicação dos atributos da APS, Potências da Formação em MFC e Desafios da MFC. Os dados qualitativos apontaram que os Programas de Residência de MFC de Palmas - TO contribuíram com a prática profissional e com o perfil dos seus egressos por meio do fortalecimento e efetivação dos atributos da APS, estendendo-se para além da atuação na especialidade. A RMFC de Palmas – TO contribui não só para o aumento no provimento de profissionais qualificados para a MFC no estado, como também para a melhoria da qualidade técnica e desenvolvimento pessoal de seus egressos, o que se edifica por meio do fortalecimento da aplicação dos princípios da APS em suas práticas profissionais cotidianas.

 

Palavras-chave: Atenção Primária a Saúde. Estratégia Saúde da Família. Educação Médica. Residência Médica.

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