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SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA: LIMITES E POSSIBILIDADES DE UMA PRÁTICA EM COMUM

RESUMO
O processo de mudança na atenção à saúde mental no Brasil foi intensificado na década de 90 dando início ao que se chamou de movimento pela Reforma Psiquiátrica Brasileira, tendo como principal foco a reorientação de um novo modelo de cuidado em saúde mental e um novo lugar social para a loucura. Esta nova lógica operante na saúde mental possibilitou a alteração do paradigma psiquiátrico para o paradigma Psicossocial, representando um avanço político, técnico e ideológico. Partindo dessa mudança de paradigmas e da reorientação das práticas, os investimentos em práticas comunitárias têm sido considerados prioridade para as políticas públicas de saúde que estabelecem o âmbito da atenção básica como cenário para a implementação dos princípios do SUS e da RPB. Dentro desta perspectiva operam os serviços de atenção básica do SUS, representados pela Estratégia Saúde da Família (ESF). O fato de as equipes da ESF estarem inseridas nos territórios potencializa a atuação terapêutica dos profissionais no que diz respeito ao cuidado dos usuários, por sua proximidade com as famílias. O presente estudo teve como objetivo analisar as estratégias de cuidado em saúde mental realizadas pelos profissionais da Estratégia Saúde da Família do município de João Pessoa/PB. Caracteriza-se como do tipo pesquisa-ação objetivando a prática e o conhecimento para a resolução de problemas e de propostas de ações que auxiliem os atores na sua atividade transformadora. Teve como cenário uma equipe de saúde da família do município de João Pessoa/PB, na qual foram realizados com os profissionais dessa equipe os seguintes procedimentos para coleta de dados: grupo focal, visitas, oficina de trabalho, variando o número de participantes para cada atividade. Para o tratamento dos dados utilizou-se a Análise de Conteúdo. Foi percebido que os profissionais se utilizam de várias estratégias para lidar com as demandas de saúde mental do território, são elas: PTS, Genograma, escuta, vínculo, acolhimento, visita domiciliar, desmedicalização, etc. Entre as estratégias de maior potencial da equipe estão: a escuta, o PTS, o apoio do NASF. Também foram identificadas dificuldades na realização do cuidado em saúde mental como falta de capacitação, excesso de demanda e fragilidade na rede de atenção à saúde. Assim, podemos dizer que a ESF possui grande potencial para lidar com as demandas de saúde mental do território, no entanto, ainda persistem diversos limites nessa prática, sendo necessário não só a oferta de cursos e qualificações pontuais, mas a realização de um processo permanente de construção de um cuidado pautado na lógica da desinstitucionalização, na autonomia dos sujeitos e na produção de vida das pessoas.
Palavras-chave: saúde mental, estratégia saúde da família, atenção psicossocial

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