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VIOLÊNCIA TERRITORIAL E SUA INTERFACE COM A QUALIDADE DO SONO DE PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA DE FORTALEZA, CE

Cenário: A Estratégia Saúde da Família (ESF) expõe seus profissionais a importantes estressores psicossociais, disruptores da qualidade do sono e de problemas profissionais. Objetivo: Desse modo, o objetivo desta pesquisa foi analisar a associação entre a violência territorial e a qualidade do sono de profissionais da ESF de Fortaleza, CE, Brasil. Ademais, interessou avaliar a qualidade do sono de profissionais da ESF de Fortaleza e identificar suas perspectivas sobre a violência no território. Método: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e analítico, com abordagem quantitativa, realizado na cidade de Fortaleza, direcionado aos profissionais de nível superior atuantes na ESF do município (médicos, enfermeiros e dentistas). A amostra totalizou 286 participantes, estratificada de acordo com a distribuição dos profissionais nas seis regionais de saúde de Fortaleza. A coleta se deu por aplicação de questionário contendo: roteiro semiestruturado para obtenção dos dados de identificação e variáveis sociodemográficas (sexo, idade, local de trabalho, tempo de trabalho), instrumento Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (IQSP) e questionário para avaliação da perspectiva dos profissionais quanto à violência em seu território de atuação na ESF. Os dados foram digitados em sistema Epidata e realizados os testes estatísticos não paramétricos no software versão 23. Resultados: Destacamos que a maioria dos participantes foi classificada como mau dormidor (65,7%), sendo os enfermeiros aqueles com maior prevalência de má qualidade do sono (73%), seguidos dos médicos (63%) e dentistas (56,8) (p=0,049). A maior parte da amostra (60,8%) considera o território de atuação na ESF uma área muito violenta. Parcela substancial, 82,2%, referiu sentimento de medo, ansiedade ou estresse devido à violência no território e a violência territorial prejudicou o desenvolvimento das atividades profissionais de grande parcela da amostra (89,1%). Os profissionais da ESF que mais referiram (≥3vezes) ser vítimas de violência dentro do serviço foram os enfermeiros (50%), seguidos por médicos (36,3%) e dentistas (32,4%) (p=0,011). Ao associarmos a má qualidade do sono dos profissionais às taxas de homicídios não evidenciamos diferenças estatisticamente significantes entre médicos (p=0,191), enfermeiros (p=0,069) e dentistas (p=0,467). A propósito disto, identificamos associação estatisticamente significante entre relato de vítima de violência dentro do serviço e taxa de homicídio, no geral (p=0,005). Por sua vez, observamos o inverso quando o local da violência é a comunidade. Em todas as secretarias executivas a maioria relatou não ter sofrido violência na comunidade durante suas atividades laborais (53,7%; 67,6%; 59,6%, 74,2%; 64,8%; 70,9%). E de fato, não averiguamos associação entre as variáveis vítima de violência na comunidade e taxa de homicídio em 2018 (p=0,712). Conclusão: Concluímos que não houve associação estatística significante entre a violência territorial e a qualidade do sono dos profissionais da ESF em Fortaleza, CE. Ademais, a prevalência de maus dormidores foi elevada, sobretudo entre os enfermeiros. 

Descritores: Violência. Sono. Estratégia Saúde da Família.
 

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