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VIVÊNCIA DE JOVENS QUE TIVERAM FILHOS DIAGNOSTICADOS COM SÍFILIS CONGÊNITA

RESUMO: Trata-se de um estudo de casos múltiplos com abordagem qualitativa que teve como objetivos: compreender a vivência de jovens que tiveram filhos diagnosticados com sífilis congênita; representar a família e a rede social e de apoio dessas jovens com base no Modelo Calgary de Avaliação Familiar; conhecer a percepção dessas jovens acerca da sífilis e de sua transmissão. Desenvolvido no município de Sobral-Ceará no período de agosto de 2018 a dezembro de 2019. Participaram da pesquisa seis jovens, na faixa etária entre 20 e 25 anos, identificadas por meio das fichas de notificação/investigação de sífilis congênita e que se constituíram nas pessoas índices de cada caso. A coleta das informações se deu mediante entrevista semiestruturada. Para tratar das informações, pautou-se no diagrama ramificado do Modelo Calgary de Avaliação Familiar e utilizou-se o método de análise de conteúdo de Bardin, a partir da técnica de categorização temática, considerando a família como unidade de análise dos casos. Respeitou-se os aspectos éticos atendendo à resolução 466/2012. Da interpretação dos dados emergiram dois eixos temáticos: A jovem com diagnóstico de sífilis, descrito em três categorias: experiências afetivas, sexuais e reprodutivas, conhecimento e prevenção às infecções sexualmente transmissíveis na juventude e sentimentos vivenciados pelas jovens no contexto da sífilis e de sua transmissão. O segundo eixo foi denominado: Rede social e de apoio à jovem no contexto da sífilis. Para análise das evidências utilizou-se a técnica analítica da síntese de casos cruzados. Os resultados explicitam que essas jovens tiveram relacionamentos conjugais e início de atividade sexual precoce, permeada por falta de informação e, que resultaram em gestações ainda na adolescência, não planejadas e no acometimento por infecções sexualmente transmissíveis. Expressam fragilidades, das jovens, quanto ao conhecimento e prevenção da sífilis e sífilis congênita e que, essa experiência, implicou em sentimentos de medo, sofrimento, preocupação e culpa em relação ao adoecimento e a transmissão vertical. A rede social das jovens é constituída por familiares, pessoas externas à família, equipamentos sociais do território e serviços de saúde que prestaram assistência à jovem e ao seu filho. A estrutura familiar interna e externa apresentou-se de forma diversificada e incluiu vínculos heterogêneos, que de uma forma geral se traduziram em relacionamentos normais, próximos, distantes, harmônicos, conflituosos, de desconfiança e hostilidade entre os integrantes das famílias em estudo. No tocante aos sistemas amplos, sobressaiu-se a relação de proximidade e harmonia com a enfermeira que acompanhou o pré-natal, o significado do trabalho na vida das jovens, assim como, o elo distante e frágil com as unidades de saúde. O apoio social foi essencial no período8 gestacional, puerperal e após o diagnóstico de sífilis, como também a ausência desse suporte foi evidenciada durante esses períodos. Dessa forma, a pesquisa contribuiu para uma visão detalhada da vivência das jovens e, neste sentido, foi relevante compreender o universo de cenários, possibilidades e entraves que estão por trás dos indicadores que reforçam a sífilis como um problema de saúde pública. Estes resultados podem subsidiar estratégias que busquem o controle da sífilis congênita e reforçam a necessidade da realização de mais investigações que considerem as subjetividades envolvidas na transmissão vertical da doença.

 

Palavras-chave: Jovem. Relações familiares. Rede Social. Sífilis. Sífilis Congênita.

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