Doutorandas do PPGSF/RENASF contribuem para estratégias de ampliação da cobertura vacinal em municípios prioritários do Maranhão
Duas doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família (PPGSF/RENASF), vinculadas à Universidade Federal do Maranhão (UFMA), participaram da Oficina Regional de Microplanejamento para as Atividades de Vacinação de Alta Qualidade, realizada de 19 a 22 de maio, no Rio de Janeiro. Promovido pelo Ministério da Saúde, pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o encontro reuniu representantes de municípios prioritários de quatro estados brasileiros: Maranhão, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Representando a Atenção Primária à Saúde (APS) de São Luís, a doutoranda Iderlania Sousa integrou a delegação maranhense responsável por discutir estratégias voltadas à ampliação das coberturas vacinais e ao aprimoramento do monitoramento das ações de imunização. A capital maranhense integra uma iniciativa da OPAS voltada ao fortalecimento da vacinação em municípios considerados prioritários, ao lado de São José de Ribamar e Imperatriz.
Também representando o Maranhão, a doutoranda Naisy Mares Furtado Muniz Silva participou da oficina como integrante do Comitê Municipal de Microplanejamento de Vacinação de São José de Ribamar. A experiência do município foi apresentada durante as atividades que reuniram gestores, profissionais de saúde e especialistas envolvidos na formulação e execução das políticas de imunização.


A oficina promoveu uma análise dos principais entraves que ainda dificultam o avanço da imunização em diferentes regiões do país. Entre os temas debatidos estiveram o acesso da população aos serviços de vacinação, a organização das ações nos territórios, a qualidade dos registros nos sistemas de informação em saúde e as estratégias para ampliar a adesão às campanhas. A iniciativa integra um esforço coordenado pelo Ministério da Saúde e pela OPAS para apoiar municípios prioritários na recuperação das coberturas vacinais e no alcance da meta de 95% preconizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Nesse processo, o microplanejamento foi apontado como uma ferramenta estratégica para compreender as particularidades de cada território e orientar intervenções mais precisas. A metodologia permite identificar barreiras que variam entre municípios, bairros e comunidades, subsidiando ações direcionadas às necessidades locais e contribuindo para uma vacinação mais eficiente, equitativa e alinhada à realidade da população.
Durante a oficina, Iderlania apresentou os resultados mais recentes da vacinação infantil em São Luís. Os dados demonstram avanço em diversos imunizantes entre 2024 e o primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para vacinas como Pneumocócica 10, Rotavírus, Meningocócica C e Poliomielite. A análise também evidenciou desafios relacionados às vacinas de reforço e segunda dose, reforçando a importância da manutenção das estratégias de busca ativa e acompanhamento contínuo da população.
“A formação no PPGSF/RENASF amplia minha capacidade de analisar os desafios da Atenção Primária à Saúde de forma crítica e baseada em evidências, qualificando minha atuação no planejamento, monitoramento e avaliação das ações desenvolvidas no município. Esse processo contribui para a tomada de decisões mais assertivas, fortalece a organização dos serviços e favorece a oferta de um cuidado mais resolutivo e alinhado às necessidades da população”, afirma Iderlania.
No caso de São José de Ribamar, os dados discutidos durante a oficina apontaram a necessidade de fortalecer ações de busca ativa de não vacinados, atualização cadastral da população e enfrentamento da desinformação sobre vacinas. Por outro lado, experiências relacionadas ao acompanhamento de crianças menores de um ano, à articulação com programas sociais e à mobilização das equipes de saúde foram identificadas como fatores associados a melhores resultados de cobertura vacinal.
Para Naisy, a participação no encontro reforça a importância de aproximar a formação acadêmica das necessidades concretas dos serviços de saúde.
“Minha participação no evento ocorreu como profissional e multiplicadora das estratégias voltadas ao fortalecimento das ações de imunização, organização, monitoramento, busca ativa e planejamento para ampliação das coberturas vacinais. O PPGSF me ajuda a transformar a prática clínica e a gestão no SUS, alinhando as pesquisas científicas às necessidades reais da comunidade e contribuindo para a construção de políticas públicas mais eficazes para a realidade do nosso município”, destaca.
Segundo a doutoranda, a experiência no programa fortalece o compromisso com uma Atenção Primária capaz de responder às demandas da população. “Como discente do doutorado e profissional da APS, devo assumir a centralidade do cuidado para que os sistemas de saúde atendam às necessidades da população e sejam capazes de resolvê-las”, ressalta.
As experiências apresentadas por São Luís e São José de Ribamar passam agora a integrar os planos de ação construídos durante a oficina. A expectativa é que as estratégias discutidas no encontro contribuam para ampliar o alcance das vacinas nos territórios e apoiar os municípios na recuperação das coberturas vacinais, um dos principais desafios da saúde pública brasileira nos últimos anos. A participação das doutorandas nesse processo também evidencia a proposta do PPGSF/RENASF de desenvolver pesquisas conectadas aos desafios reais dos serviços de saúde, aproximando a formação acadêmica da tomada de decisões no âmbito do SUS.
