Discente e docente do PPGSF/RENASF/UFC recebem premiação na XVII Mostra Acadêmica de Enfermagem da UFC
A discente do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família (PPGSF/RENASF), Alexandra Távora, e a docente Roberta Meneses Oliveira foram contempladas com o Prêmio Maria Grasiela Teixeira Barroso durante a XVII Mostra Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC).
O reconhecimento foi concedido ao trabalho intitulado “Gentileza nas relações interpessoais na produção do cuidado em saúde: perspectiva de usuários, gestores e profissionais de unidade de atenção primária”, desenvolvido em coautoria com Júlia Reis Dias e Larissa Rayane Santos Mota, que esteve presente na premiação para receber o certificado.

A premiação ocorreu em 15 de maio, em Fortaleza, no contexto da XVII Mostra Acadêmica de Enfermagem, realizada em comemoração aos 50 anos de contribuições e avanços da Enfermagem cearense.
O estudo destaca a importância das relações interpessoais e da humanização do cuidado no âmbito da Atenção Primária à Saúde, tema alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e à proposta formativa do PPGSF/RENASF, que busca qualificar profissionais para enfrentar desafios concretos dos serviços de saúde.
Para Alexandra Távora, o prêmio representa um reconhecimento coletivo ao trabalho desenvolvido pelas pesquisadoras e à relevância do tema debatido. “Nós ficamos extremamente honradas de ganhar esse prêmio tão importante para a Enfermagem da UFC. Realmente não esperávamos, foi uma grata surpresa. Ficamos muito felizes de poder contribuir com a enfermagem cearense e com a enfermagem brasileira discutindo um tema de extrema relevância para o nosso contexto”, afirmou.
A pesquisadora também ressaltou o caráter colaborativo da produção científica, construída em conjunto com a orientadora e as demais coautoras do estudo. Segundo ela, a pesquisa nasceu a partir de um recorte da dissertação de mestrado desenvolvida no PPGSF/RENASF e contou com diferentes olhares sobre a produção do cuidado em saúde. “O trabalho foi desenvolvido de forma muito integrada entre todas as participantes da pesquisa, desde a construção teórica até a análise das entrevistas. Esse reconhecimento também reforça a importância da pesquisa coletiva e do diálogo entre ensino, serviço e cuidado”, destacou.
De acordo com Alexandra, o estudo parte da compreensão de que a Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada do SUS, é um espaço em que o cuidado não pode se limitar apenas aos procedimentos técnicos. “Muitas vezes esse cuidado está sendo prestado só baseado nos recursos técnicos, mas ele também é construído através das relações humanas. A nossa pesquisa reforça que atitudes simples, como acolher, ouvir atentamente o paciente, chamar pelo nome e ter uma comunicação respeitosa, têm grande impacto na experiência do usuário e na qualidade da assistência”, explicou.
Entre os principais achados do trabalho, a pesquisadora destacou a percepção semelhante entre usuários, gestores e profissionais sobre o significado da gentileza no cuidado em saúde. “Foi muito comum entre as três categorias envolvidas no processo a caracterização da gentileza como empatia e acolhimento. A gente identificou que esses vínculos entre profissionais e pacientes aumentam a confiança dos usuários, favorecem a adesão ao tratamento e tornam a assistência mais humanizada”, pontuou.
Outro aspecto evidenciado pela pesquisa foi a presença de situações de incivilidade no cotidiano dos serviços de saúde. Segundo Alexandra, um dos pontos que mais chamou atenção da equipe foi a naturalização de comportamentos desrespeitosos entre profissionais e usuários. “A gente ficou triste ao perceber que muitos desses comportamentos já são vistos como algo normal. E não é para ser normalizado. Isso compromete a experiência do usuário e a qualidade da assistência”, afirmou.
Para as autoras, a pesquisa busca ampliar o debate sobre a humanização das práticas de saúde e incentivar estratégias institucionais voltadas ao fortalecimento das relações interpessoais nos serviços. “O que a gente quer trazer de contribuição é que a gentileza deixe de ser vista como algo secundário e passe a ser compreendida como um elemento estruturante das práticas de saúde. Esses resultados mostram a necessidade de estratégias como capacitações e ações de humanização que fortaleçam relações mais saudáveis dentro dos serviços”, concluiu Alexandra.
